Eunice Pimentel

Os amigos


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Pessoas entram, pessoas saem da tua vida. Agradeces quando as pessoas entram na tua vida e agradeces ou entristeces quando pessoas saem da tua vida. Depende. É assim, é um ciclo renovável, disso se faz a experiência, experiência que se converte em conhecimento, em sabedoria, em aprendizagem. É assim. E sendo assim, reconheces, aprendes a reconhecer, o que é bom e o que é mau, aliás quem é bom e quem é mau. Naturalmente que esta distinção se relaciona com a essência do individuo, não se relaciona com rótulos ou tendências fashion inibidoras do ser. Não se relaciona com o trabalho que executa, o carro que conduz, a casa que habita. O que pretendo dizer é que não sabemos de um amigo pela forma como se apresenta, mas como nos apresenta. Sabemos um amigo quando em momentos maus e é sempre nos maus momentos que sabemos dos amigos, lhes sentimos o querer bem, o bem-querer, o bem. Os bons amigos são aqueles que ficam, permanecem connosco, nos dão opinião, conselhos, contrariam. É essencial um amigo contrariar, chamar à razão, dizer não. Consentir tudo não é de amigo, muito menos é fingir. Não devemos ficar tristes com esses amigos que fingem, devemos apenas reconhecer que foram para nós mais importantes que nós para eles, mas nada os obriga a que sejamos importantes nas suas vidas, a que tenhamos um lugar. Não temos que nos esforçar para que nos reconheçam como amigos, porque esse reconhecimento tem de ser algo natural, que flui: nas conversas, nos encontros, nos sorrisos, nas lágrimas. Tem de fluir. Muitos dizem que ninguém é totalmente bom, nem totalmente mau. Sendo assim não há amigos bons nem maus: ou há amigos ou não há. Muitos dizem que somos um pouco dos dois, somos tão bons como maus, por isso a azucrinar-nos como freio temos a voz da consciência. A voz da consciência é comummente representada, tão bem representada, alegoricamente representada por um anjo e um demónio. A sermos tão bons como maus, também nós temos dias de ser um bom ou mau amigo. Nesses dias podemos parecer fingir, nesses dias podemos estar longe e não ver, não sentir o que se apresenta à nossa frente como um amigo que precisa. Os amigos precisam-nos. Ombro, olhar, mão, silêncio. Entre amigos é fulcral reconhecer o silêncio. Respeitar o silêncio de um amigo é quase ou tão mais importante que saber ouvi-lo. Todos sabemos que há amigos que estão sempre lá e que estaremos sempre lá para eles sem que digam uma palavra. Nem todos temos o dom da palavra, seja escrita ou falada, nem todos temos o dom de exteriorizar. Portanto, a todos os meus amigos, silêncio.


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