Eunice Pimentel

Encruzilhadas


A vida tem formas estranhas de se revelar ou somos nós que temos formas estranhas de nos revelarmos à vida? caminho.jpg

Os caminhos cruzam-se à nossa frente, como autoestradas maradas de uma Capitalismo qualquer espalhada por esse mundo social interessante e banal, luminoso, de cegar. Em flash-lights, em vais-e-vens-à-Lua, entrocamentos, cruzamentos, que é como quem diz encruzilhadas: chegadas/partidas de determinados pontos de ti. Em cada uma, um Alguém-ser-alguém espera-te (ou não… depende…). Páras em cada entroncamento, independentemente de tudo, páras sempre, estagnas na experiência de querer viver mais aquela experiência. Parados, observamos tudo à nossa volta, mas principalmente observamos o Alguém-ser-alguém que marcou aquele ou outro, determinado ponto de nós e que gostámos tanto, mas que sorrateiramente nos virou as costas em sinal de não quero. E seguimos, tentando não pensar muito, seguimos. Seguimos, seguimos e no entroncamento seguinte, que é como quem diz encruzilhada, pensamos em seguir ou virar as costas enquanto também um Alguém-ser-alguém que somos/fomos. Mas seguimos, simplesmente, sem pensar muito até ao seguinte, seguinte, seguinte, seguinte, se, se, seg, inte, guinte, se. Lá, parados, estagnados naquele que é um outro ponto de nós, decidimos recordar, passamos a ser unicamente um Alguém-ser-alguém de outro a quem não conseguimos virar as costas em sinal de não quero. Sorrimos à felicidade do Alguém-ser-alguém que nos deu a mão, a quem demos a mão e seguimos, já sem esperar entrocamentos, cruzamentos, auto-estradas maradas que é como quem diz encruzilhadas em determinados ponto de nós.


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