fran bubniak

Fotografia, cinema, literatura e o que mais der na telha

Fran Bubniak

Curitibana que não gosta de frio, fotógrafa que não sai bem em foto nenhuma e jornalista que odeia o lead. Olé

Medianeras: um filme sobre estar cercado e estar só

Essa não será uma reflexão sobre o que estamos fazendo das nossas vidas ou sobre como usamos a internet.


Wally_-_reproducao-450x336.jpg Da web.

Martín (Javier Drolas) é um web designer cheio de fobias que vive com o cachorro da ex namorada, que o deixou, num apartamento pequeno e quase sem janelas em Buenos Aires. Mariana (Pilar López de Ayala) é uma arquiteta frustrada que trabalha com decoração de vitrinas e vive com um manequim de loja num apartamento pequeno e quase sem janelas num edifício vizinho ao de Martín.

Medianeras (no Brasil “Medianeras: Buenos Aires na era do amor virtual”), dirigido por Gustavo Taretto, faz uma correlação entre a vida moderna, arquitetura e o crescimento descontrolado das cidades. Na trama, lançada em 2011 e filmada na Espanha e na Argentina, Martín e Mariana vivem muito perto um do outro, mas só vão se “encontrar” de fato numa sala de bate-papo virtual.

“Medianeras” é o nome dado às paredes sem janelas dos edifícios - justamente as que separam Martín e Mariana. Eles estão perto e, ao mesmo tempo, longe. Vivem numa cidade cheia de gente, mas cada um está ocupado demais, imerso no seu próprio mundo particular.

Repito: essa não será uma reflexão sobre o que estamos fazendo das nossas vidas ou sobre como usamos a internet. Mas… ao assistir ao filme, é impossível não parar para pensar em quantas oportunidades são perdidas porque nos escondemos atrás de uma tela e preferimos o conforto do lar a sair e encarar a vida lá fora. Conversar com alguém que encontrei na rua? Pffff! Posso conversar com desconhecidos na internet, mesmo. É mais fácil estabelecer uma relação com uma máquina do que encarar o mundo real.

No longa, que teve como origem um curta gravado em 2005, com o mesmo nome, as barreiras são quebradas quando as personagens decidem quebrar as paredes e colocar janelas nas medianeras (e assim vou quase contando o final do filme), mas na vida offline algumas barreiras podem ser quebradas ao se desconectar (e colocar o pé na rua).

(Acabou sendo um início de reflexão, mas que não vou continuar.)

Apesar de lançado em 2011 e apesar de o mundo já ter mudado muito de lá para cá, Medianeras tende a ficar cada vez mais atual. Vale a pena assistir (para refletir ou não) este que é mais um representante do surpreendente cinema argentino. E se você não entendeu o que Wally está fazendo nesse texto, mais um motivo para ver este longa!


Fran Bubniak

Curitibana que não gosta de frio, fotógrafa que não sai bem em foto nenhuma e jornalista que odeia o lead. Olé.
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