fugindo do lugarcomum

Do quarto 237 ao olhar do Grande Irmão

Hamlet Oliveira

Falar da mesma coisa é sempre muito chato.

A simplicidade do amor adolescente de “Moonrise Kingdom”

Simples e marcante, "Moonrise Kingdom" é um filme sobre as fugas e descobertas de um casal adolescente. Mesmo sem situações carregadas de forte drama, a história fofa de Sam e Suzy cativa o espectador, graças a harmonia e eficácia de todos os elementos que a compõem.


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Em meio a tantas cobranças do cotidiano, parar por um tempo e apreciar um filme sensível como “Moonrise Kingdom” é quase um dever. Sua capacidade de passar uma sensação de tranquilidade e alegria é fantástica. Claro, esse efeito não existiria se todos os componentes da obra não se complementassem de forma tão natural.

Com sua trama transcorrendo por alguns dias de 1965, em uma ilha americana chamada de New Penzance, o filme conta a história de dois jovens, Sam e Suzy. Neles, vemos duas personalidades distintas, mas com uma (entre muitas) semelhança em particular: o fato de serem considerados problemáticos por suas famílias. No caso de Sam, por qualquer um que tenha cuidado dele após a morte de seus pais.

O comportamento peculiar do casal logo se torna cativante. Um dos grandes destaques está na atmosfera cercada por tons de amarelo que o filme emprega. Por simbolizar alegria, a cor se torna particularmente presente nos uniformes dos Escoteiros Cáqui e nos cenários cheios de paisagens naturais. Assim, as descobertas, experiências e fugas de Sam e Suzy tornam-se uma bela história de amor adolescente, que não precisa se prender a dramas pesados para prender nossa atenção.

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Por ter visto o filme pela primeira vez por indicação de um amigo, não busquei por trailer ou sinopse. O primeiro contato com o elenco já foi ótima surpresa. Os rostos conhecidos de Bill Murray, pai de Suzy (com uma maquiagem que o deixou terrivelmente triste), Bruce Willis, o policial da ilha, sendo um dos personagens mais cativantes do filmes, Edward Norton, chefe dos escoteiros, mas que não espanca ninguém, e Tilda Swinton, como uma personagem que não possui nome, representado o Serviço Social.

Os atores de Suzy e Sam, apesar de estreantes, realizam um trabalho marcante, pela simplicidade de suas expressões. A forma natural como os atores interagem deixa tudo ainda mais bonito, por vermos como são simples os desejos adolescentes, mas que possuem uma intensidade sem tamanho.

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Outro aspecto interessante é a utilização dos elementos que o filme nos dá para conhecermos os detalhes de cada personagem. Apesar de ser impopular, Sam possui seu uniforme quase totalmente preenchido por medalhas, o que nos convence de suas habilidades de sobrevivência na selva. O uso do binóculo de Suzy torna-se quase que novos olhos para o espectador, tamanha a utilização do objeto, sendo uma extensão do olhar de Suzy, ou seu “super poder”.

Muitos outros detalhes chamam a atenção em “Moonrise Kingdom”, mas não deslocam nossa atenção da relevância do amor de Sam e Suzy. Tocante, alegre e, por que não, fofo, o filme foi uma feliz surpresa para mim. Merece um tempo naquela manhã de sábado chuvosa, ou simplesmente quando quiser algo para sorrir.

Sam.jpg O outro olhar de Lucy


Hamlet Oliveira

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