fugindo do lugarcomum

Do quarto 237 ao olhar do Grande Irmão

Hamlet Oliveira

Falar da mesma coisa é sempre muito chato.

Silhuetas em movimento

Lançado em 1926, “As Aventuras do Príncipe Achmed” é considerado o primeiro longa-metragem de animação, após a destruição do argentino “El Apóstol” em um incêndio. Realizado por meio de silhuetas, o filme adquire ares modernos por contar com um visual cativante e uma interessante história adaptada do livro “As Mil e Uma Noites”.


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Em um reino muito rico, vivia um príncipe com sua família. Sua bela irmã era cortejada por um poderoso mago, possuidor de conhecimentos incríveis, mas com ambições pouco nobres. Durante uma festa e iludido pela graça e encanto do cavalo alado do mago, o príncipe acaba perdendo o controle do animal, sendo levado para longe de sua cidade e deixando sua família à mercê do feiticeiro. Em sua viagem involuntária, apaixona-se e conhece amigos, entre eles Aladim. Mas existe um detalhe. Seu vasto universo, para nós, são apenas silhuetas.

Desenvolvido dentro de um ambiente que mescla escuridão com variadas cores, “As Aventuras do Príncipe Achmed”, primeiro longa-metragem de animação, se destaca não apenas por uma narrativa cativante, mas pela simplicidade com que foi construído. Com a utilização de papelão e jogos de luz e sombra, a história do príncipe toma rumos e significações fantásticas, mesmo que em nenhum momento olhemos para seu rosto de frente.

Dirigido pela alemã Lotte Reiniger, uma das pioneiras com animações utilizando silhuetas, a animação demorou 3 anos para ser concluída, dado o extenso trabalho de manipulação dos personagens e cenários. Apesar da simplicidade da realização, o efeito final é fluido e dinâmico, garantindo a mesma imersão no universo dos personagens que ocorre nos filmes coloridos e falados que surgiram em seguida.

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A história do filme é baseada na obra “As Mil e Uma Noites”. A mitologia original está presente nos visuais do filme e personagens, como também na aparição de Aladim, personagem popularizado após a adaptação clássica da Disney.

Por meio de suas silhuetas, percebemos a riqueza de detalhes com que podemos identificar e relacionar aqueles personagens. A experiência de compreender o universo apresentado apenas com silhuetas garante uma percepção maior do espectador, onde podemos observar cada nuance dos ambientes apresentados. Originalmente preto e branco, o tingimento realizado com o longa-metragem garante vida e animação para seus cenários e personagens, ao caracterizar o clima e diversas ambientações vistas no filme.

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Além do uso magistral em “As Aventuras do Príncipe Achmed”, as silhuetas desempenham papel incrível no jogo “Limbo”, possuidor de um visual predominantemente triste, mas cativante por conta do mundo explorado pelo protagonista. Assim como no filme, observamos no jogo apenas as sombras de seus componentes, onde diversas escalas de cinza predominam em todas as fases.

Dentro de “Limbo”, o mundo formado por silhuetas é importante por complementar os desafios do jogo, pois identificamos os riscos daquele universo apenas por suas sombras, o que não diminui o efeito causando em quem presencia o desenrolar dos atos.

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Seja no mundo virtual, em fotografias, nas telas de cinema, ou mesmo na reflexão de mãos nas paredes, as sombras e silhuetas conseguem encantar a todos dispostos a conhecerem o imaginário com outros olhos.


Hamlet Oliveira

Falar da mesma coisa é sempre muito chato. .
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