fugindo do lugarcomum

Do quarto 237 ao olhar do Grande Irmão

Hamlet Oliveira

Falar da mesma coisa é sempre muito chato.

Gritos ignorados em “Lunar”

Uma vida de mentiras para alguém preso no meio da Lua. A história de Sam, um astronauta, mostra uma realidade onde corporações chegaram a um nível avançado de negligência com seus empregados, os tratando como engrenagens futuristas nas fábricas.


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Preso na lua. Distante da família e amigos. Sozinho em uma imensa estação espacial, mas, finalmente, seu contrato está perto do fim. No período retratado em “Lunar”, a Terra deixou de ser desgastada pelas incansáveis explorações em busca de recursos naturais e passamos a minerar nosso satélite para conseguir uma nova fonte de energia. Por meio de sistemas e robôs com inteligência artificial e longa autonomia, apenas um astronauta é necessário na base lunar para eventuais reparos e operação dos sistemas.

Imerso em uma atmosfera bastante limpa e branca, conhecemos nosso protagonista Sam (Sam Rockwell), o astronauta responsável pelo atual contrato de manutenção. Após quase três anos de serviço, está perto de voltar para sua esposa e filha, com as quais se comunica através de mensagens gravadas e enviadas posteriormente entre eles. Logo, percebemos como o isolamento afeta Sam, fazendo com que tenha pequenas alucinações e sonhos com sua família.

Após um grave acidente sofrido por Sam, vemos uma mudança no clima do filme. O que antes parecia ser um longa simples e calmo torna-se pesado e triste, à medida que conhecemos as reais condições do protagonista, um mero clone para uso fácil e barato para uma grande corporação. Com a entrada do clone substituto na trama, vemos todas as mentiras implantadas à partir das memórias do verdadeiro Sam.

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As mentiras contadas para o protagonista lembram toda a vida falsa retratada em “O Show de Truman”, mas com uma audiência bastante específica. Como no drama estralado por Jim Carrey, Sam torna-se uma figura trágica quando percebe o quão insignificante é considerada sua existência. Mas o filme não seria interessante se ele continuasse assim, não é?

Mesmo retratados em universos bastante distintos, os dois filmes compartilham o desespero de seus protagonistas em irem contra os fatos que acabam de descobrir. Diferentemente de Truman, Sam possui a companhia de seu clone, mas com uma personalidade mais forte, e Gerty, um robô com uma impressionante I.A e a voz de Kevin Spacey, sendo uma figura divertida, que vai até o fim por sua programação inicial, a de ajudar Sam em qualquer circunstância.

Ao visualizarmos o espaço pela perspectiva de quem está na lua, recebemos todo o impacto de uma atmosfera claustrofóbica, apesar de toda região inabitada ao redor da estação espacial. Seguindo a comparação com “O Show de Truman”, em “Lunar” temos não uma espaço irreal e artificial, mas uma realidade, onde Sam se encontra, mesmo que todas suas lembranças sejam falsas.

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É fato cientifico que o som não se propaga no espaço. Logo, em uma situação de risco, pedir por socorro é inútil. Porém, o grande choque do filme está em ver alguém sendo escutado, mas ignorado em seu desespero e tratado como um ser menor, criado apenas para efetuar uma tarefa.


Hamlet Oliveira

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