Neto Roberti

Tenho mais de 50 anos, mas minha carcaça insiste que tenho 20. Sou fotógrafo, videomaker, jornalista, colunista e, como todo brasileiro, um cagador de regras, ou garimpeiro de ideias.

Um domingo qualquer

Certo domingo, resolvi pegar minha câmera e fotografar! Queria surpreender meus olhos. Aproveitei que meu olhar estava sensível e consegui capturar toda a filosofia que um domingo propõe. Macacos, o sol, as flores e o vazio. Nada passou despercebido. Se passou, quer dizer que não era tão importante.


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De longe pude avistar um catavento. O espaço em que ele estava não era bonito. Tratava-se de uma chácara mal cuidada, mas a beleza do catavento era peculiar.

Era domingo. Era um domingo qualquer. Não era dia das mães, dia dos pais ou dia de jogo do Brasil. Era apenas um domingo qualquer, mas que se tornou especial. Isso porque resolvi sair pelas ruas e fotografar tudo aquilo que não fosse apenas bonito, mas que me fizesse sentir uma necessidade de clicar.

Uma necessidade que superasse a beleza. Eu queria, naquele domingo, me inspirar e filosofar sobre meu olhar. Cá entre nós, leitor... Meu olhar naquele dia estava sensível.

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A estrada de terra estava bem suja. Tinha lixo por todas as partes! Lixo pendurado nas árvores e cachorros com suas caras enfiadas nos latões. No alto de um cabo de eletricidade, um macaco observava algo. Se eles pensam, eu acho que ele pensava nas diversas formas que o ser humano encontrou de estragar aquilo que é dos animais: a natureza.

Nós temos o dom de tomar aquilo que não nos pertence. Nós sempre invadimos os lugares onde não fomos convidados.

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Em meio ao lixo que estava aquela estrada de terra, tinha essa florzinha solitária. Literalmente solitária.

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Senti uma conexão positiva entre os galhos da árvore e o céu limpo.

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Esta foto! Estes bancos vazios me lembrou solidão. Daí, lembrei de uma música da minha banda favorita: Beirut.

"As luzes acendem. As luzes apagam. Quando as coisas não vão bem, eu deito como um cão cansado, lambendo as ferias na sombra. Quando eu me sinto vivo, eu tento imaginar uma vida sem preocupações. Um mundo cênico onde os pores-do-sol são totalmente deslumbrantes".

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Certa vez, Jimi Hendrix disse: "Me dá licença que eu vou beijar o céu". Senti vontade semelhante naquele momento.

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E, por fim, a saideira. Quando eu já estava com a câmera desligada, pronta para guardá-la, olhei por meio das folhas das árvores e pude ver o sol pedindo licença para ir embora. Pedi permissão para clicá-lo penetrando sensivelmente a folhagem.


Neto Roberti

Tenho mais de 50 anos, mas minha carcaça insiste que tenho 20. Sou fotógrafo, videomaker, jornalista, colunista e, como todo brasileiro, um cagador de regras, ou garimpeiro de ideias. .
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