garimpando o luar

Cruzando os mares e a lua cheia

marcinho

Publicitário, músico e, principalmente, um apaixonado pela vontade de escrever. O lápis, o papel e o violão são as minhas melhores companhias.

Amanhã vai ser outro dia?

Você realmente se importa com o Brasil ou somente quer ter razão? Amanhã será outro dia ou não existe o amanhã?

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Alimentado pelo vídeo do ex-repórter do CQC, Guga Noblat (que você pode ver clicando aqui), expresso a minha humilde opinião sobre algo que vem acontecendo fortemente no Brasil nos últimos meses. E, parafraseando Chico Buarque, pergunto: amanhã vai ser outro dia?

Hoje em dia, tudo é motivo para sair às ruas e expressar o seu sentimento político. Ou você é PT, ou você é PSDB. Ou você é Dilma, ou Aécio. Ou você é “coxinha”, ou é “petralha”. Ou você é “cara”, ou você é “coroa”. Parece até que estamos vivendo em um tabuleiro de jogo de xadrez, onde é impossível estar dos dois lados ao mesmo tempo e compartilhar ideias de diferentes lados para ir em prol de alguma coisa boa, alguma coisa melhor. Ou você é o rei branco e quer acabar com o exército negro, ou você é o rei negro e quer acabar com o exército branco. Em meio a todo esse turbilhão de ideias políticas e “guerras” desenfreadas que mais se parecem com um garoto mimado que chora para ganhar tudo o que quer, não existe mais o meio termo. Vivemos em mundo doente de 8 ou 80. E parece que ninguém se anima a dizer que é possível um caminho central, onde algumas ideias de lá, outras de cá, podem favorecer a todos nós. Sim, a grande massa brasileira se esqueceu o porquê de sair às ruas. Se esqueceu que lutam por alguma coisa. Se esqueceu que a política é para um país. Sim, o Brasil. O nosso Brasil. Infelizmente, não se luta por um país melhor. Se luta para ter razão. Eu quero, eu posso, eu ganhei, eu sei mais que você, eu sou mais inteligente, eu ganho mais, eu tenho razão, eu sou a verdade, eu sei o que é melhor, etc. O sentido de debate ficou esquecido como uma notícia sem importância alguma daquele jornal de domingo que ninguém lê. Tudo isso para dizer que se o partido A rouba milhões, o partido B roubou bilhões.

Não fosse somente isso, o pior ainda estaria por vir. As pessoas vão às ruas como uma torcida sai em final de campeonato. Vestem as camisas, azul ou vermelha, e se organizam, cantam, se emocionam e lutam por algo que nem mesmo a grande maioria sabe do que se trata.

A boa notícia é que por mais idiota que possa parecer, existe algo positivo nisso tudo. O brasileiro redescobriu, depois de "milhões de anos", a liberdade de expressão. Voltou às ruas, se organizou, falou o que pensava, saiu para mostrar sua insatisfação. “O gigante acordou”, foi a máxima que se escutou no ano de 2013. Os brasileiros ao redor do mundo se mobilizaram por uma causa e “não era somente pelos 0,20 centavos”. Era muito mais que isso. Isso o quê? O que foi que aconteceu com aqueles jovens de 2013? Onde estão todos eles que saíram às ruas? Esse é um dos grandes problemas do brasileiro. E é algo que a gente só vê quando mora fora. O brasileiro gosta sim da bagunça, gosta de chamar a atenção e ser o centro de tudo. É patético, mas ele realmente se acha melhor que todo mundo, se acha acima do bem e do mal. Não quero fazer comparações com outras nacionalidades, conheço algumas poucas e não estou aqui para dar minha opinião sobre os outros, mas sobre nós. Sobre os brasileiros. Quando o Ed Motta falou sobre os brasileiros, atuei como um. Primeiro xinguei. Quando escutei o que ele tinha para dizer, concordei com ele. É triste, mas é real. A gente tem esse costume: primeiro, a gente bate, depois, pergunta o que aconteceu.

Será tão difícil entender a diferença entre os jovens dos anos 60, que pediram o fim da intervenção militar, e dos anos 90, que pediram o fora Collor,  em comparação com os jovens da atualidade, que pedem para tirar a presidente do poder e, em sua maioria, não sabem que quem entra no poder é o vice? Um pouco esquecido são, não? Pois, se você já andava por esse pequeno lugar chamado Brasil nos anos 90, este seria o segundo impeachment vivido.

É. É interessante. O brasileiro redescobriu a liberdade de expressão. E quando saiu às ruas pediu a volta do regime militar. Ah!? É uma pena que muitos ainda sejam completamente idiotas e não saibam de absolutamente nada, muito menos se expressar.

Pergunto, então, novamente: amanhã vai ser outro dia?

Pense nisso!

E que viva a liberdade de expressão! 


marcinho

Publicitário, músico e, principalmente, um apaixonado pela vontade de escrever. O lápis, o papel e o violão são as minhas melhores companhias. .
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