
Várias vezes Marcelo Janot me fez abortar planos de dormir cedo, com seus comentários pré-sessão das 22hs no TelecineCult, assim como várias vezes críticos diversos, consagrados ou não (como se algum crítico pudesse consagrar-se), me fizeram comprar ingressos de filmes que nem o nome, nem a sinopse me apeteceram.
Foi assim da última vez com "Eu matei minha mãe" de Xavier Dolan, estréia de direção do rapaz, o nome era clichê, o cartaz era bobo, e o filme havia ganho apenas o Prêmio Internacional do Júri na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o Prix SACD, o Prix Regards Jeune, o Art Cinema Award (estes três no Festival de Cannes – Quinzena de Realizadores) e o Prêmio da crítica noPalm Springs Internacional Film Festival, era tanto prêmio que dei a chance, e valeu a pena.
Essa introdução, além de demonstrar minha prolixidade vem de encontro ao Janot, muitas noites atrás, anunciando O Jogador (the Player - 1992), filme de David Altman, com um elenco da pesada, as vezes, protagonizando a si mesmo, imagino eu que todo mundo que gosta de cinema gosta de longas tomadas, já de inicio nos deliciamos com nada menos que 8 minutos, direto e reto, nos apresentando a atmosfera hollywoodiana, dos executivos de Hollywood, e Griffin Mill (Tim Robbins), o nosso jogador.
Mill (Tim Robbins), responsável pelo trato com os roteiristas, começa a receber cartões de um roteirista angustiado e anônimo que o ameaça quase diariamente, sempre com cartões postais bizarros, a idéia é boa, tanto que é repetida em Caché (Dir. Michael Haneke - 2005). Transtornado, Mill resolve descobrir quem é o meliante que o ameaça, decide, como loteria, que seria David Kahane, roteirista fracassado que ele havia dispensado 6 meses antes, trocando em miúdos, Kahane "morre" e a vida de Mill vira de cabeça pra baixo.
O filme ganhou 2 prêmios pelo The British Academy of Film and Television Arts, foi indicado ao oscar em 3 categorias e não ganhou, e acho que isso quer dizer alguma coisa, minha impressão era de estar vendo um filme europeu, entendendo isso como algo positivo, pois o olhar de fora sempre enxerga coisas que o próprio umbigo recusa, e a fotografia de Hollywood é tão cristalina que a impressão que temos é que aquilo não foi "fotografado" pelos próprios.
Me recordou Crimes e Pecados (Woody Allen - 1989) e carrega junto com esse a qualidade de mostrar o vencedor amoral, aquele que vence por que trapaceia, rouba, mata, no melhor estilo Dostoievski vai ao cinema.
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