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Dialogos com cinema e outras artes...

Larissa Mota Calixto

Escritora que adora jazz, folk, dias chuvosos, conversas interessantes e cinema.

A absurda e brilhante ideia de Hitchcock

Considerado um excelente diretor por muitos, o mestre do suspense estava no auge do seu sucesso aos sessenta anos de idade. Foi nessa fase que Alfred Hitchcock, foi apresentado a um livro sobre um estranho assassino e decidiu transformá-lo em filme. Idéia considerada absurda que viera a se transformar em Psycho.


2.jpg O longa baseado no livro “Alfred Hitchcock and the making of Psycho”, de Stephen Rebello é o primeiro grande filme do diretor Sacha Gervasi, que em outrora fora roteirista em “The Terminal”. Este é um filme que conta o making of do grande sucesso do cineasta Hitchcock, Psycho, aquele filme da clássica cena de uma mulher sendo assassinada no chuveiro. Além disso o filme fala sobre o estranho fascínio do diretor por assassinatos violentos e as mentes perturbadas de seus autores, e da sua obsessão pelas belas atrizes com quem trabalhava. Sobretudo, este longa trata da relação de Hitchcock com sua brilhante esposa Alma Reville que fora imprescindível na transformação de Psycho em um grande clássico.psycho.jpg

Após mais um grande sucesso Hitchcock (Anthony Hopinks) começa a ler um livro chamado Psycho, que falava sobre um assassino com dupla personalidade, que se travestia com as roupas da mãe e matava mulheres, fascinado pela história o cineasta decide dar um jeito para que o livro parasse de ser vendido, pois ele iria transformá-lo em filme e não queria que as pessoas soubessem o final. Então, a história da criação do mais desacreditado dos filmes de Hitchcock que viera a se torna o seu maior sucesso se desenrola. Isso mesmo desacreditado, Psycho enfrentou diversas barreiras até chegar às telonas, inacreditável, não? A Paramount se recusou a distribuir aquele filme sobre um assassino travesti, todos diziam e acreditavam que não iria dar certo, mas Hitchcock com sua incrível persistência e cabeça dura estava decidido a fazer aquele filme então, hipotecou sua mansão, enfrentou os vários tabus da época dentre eles os relacionados ao nudismo, e um que dizia que filmes americanos, não podiam mostrar o vaso sanitário em cenas no banheiro.

Em paralelo com a produção de Psycho temos Alma Reville (Ellen Mirren), esposa de Hitchcock, ela estava sempre ao lado do marido nas suas grandes produções, ajudando desde a escolha do elenco, edição até a estréia. Sentindo-se ignorada por não ter o devido reconhecimento, ela começa a se afastar do trabalho do marido e a buscar algum projeto só dela. O que poderia trazer grandes problemas para a nova produção e para o seu casamento.

image.jpg O filme se desenrola dentro dessas duas tramas basicamente. Ele chega a ser um tanto cômico em algumas cenas e em outras é dotado de certa tensão, isso graças à perfeita encarnação de Anthony Hopinks, no seu papel e à trilha sonora de suspense que nos remete aos filmes do próprio Hitchcock. Antony Hopinks em minha opinião foi o melhor ator protagonista da leva de 2012, ele encarnou o diretor perfeitamente. Figurino, maquiagem ajudam, mas a sua atuação ia muito além disso, ela estava na postura, no tom de voz, principalmente no olhar. Eu acho incrível quando um ator consegue captar esse tipo de coisa, pois o olhar é algo que diz muito, porém, é extremamente difícil de ser captado tanto em desenhos, pinturas, fotografias e claro em atuações. Este filme contou também com Elen Mirren outra grande atriz, que estava incrível. A sua atuação foi muito boa e marcante como a durona Alma Reville. Definitivamente a escolha do elenco foi muito bem feita. Hopinks e Ellen Mirren fizeram uma grande parceria. 20085800.jpg Ponto fraco do filme talvez tenha sido, a atuação de Scarlett Johansson, que fez carreira como femme fatale, e não conseguiu convencer muito bem como uma mulher doce, fascinada pelo seu diretor e que antes de atriz era mãe e esposa, ou seja, uma boa moça. Papel que ainda não combina com ela na minha opinião.

O filme recebeu uma única indicação ao Oscar, o de maquiagem, e não ganhou. Levou também apenas uma indicação ao globo de ouro, o de melhor atriz dramática para Elen Mirren, e também não ganhou. Inacreditável, não?


Larissa Mota Calixto

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