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Dialogos com cinema e outras artes...

Larissa Mota Calixto

Escritora que adora jazz, folk, dias chuvosos, conversas interessantes e cinema.

Simplesmente Jazz

Para uns, uma paixão. Para outros, um estilo restrito ao gosto dos intelectuais. Bem, a grande verdade é que se trata de um charmoso e envolvente estilo musical.


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Nascido em meio às comunidades negras de New Orleans no inicio do século passado, não demorou muito para superar os preconceitos da época e se tornar a referência musical do seu tempo. Cantado por Louis Asmstrong e Billie Holiday, ganhou com Sinatra nova roupagem, marcando a história nos grandes musicais. Além dos artistas acima, não podemos esquecer de citar Ella Fitzgerald, com sua voz marcante; Ray Charles no seu piano e Bechet marcado pelo sax e clarinete.

Enfim, são muitos os músicos talentosos que se dedicaram a essa charmosa manifestação musical desenvolvida a partir da mistura de várias tradições musicais de origem afro-americana e que ultrapassou fronteiras, influenciando novos estilos, a exemplo da nossa Bossa Nova. Garota de Ipanema ou Girl from Ipanema foi simplesmente uma das músicas mais gravadas pelo mundo por vozes como Frank Sinatra. Ainda hoje podemos ouvir artistas estrangeiros do jazz, apaixonados pela nossa Bossa. A cantora norte americana Stacey Kent, por exemplo, gravou belíssimas versões em inglês e francês de músicas como Samba da Benção, Águas de Março e muitas outras.

Quem conhece o estilo do jazz , certamente se arrepia ao ouvir os improvisos, momentos durante os quais o músico mostra a beleza do seu instrumento e sua incrível habilidade, levando todos ao puro êxtase.

No jazz, não podem faltar instrumentos como: baixo, piano, bateria e os de sopro, como saxofone, trompas e trompetes que dão um toque extremamente especial e bem característico do estilo, o que não impede que outros instrumentos também possam compor ou complementar bandas de jazz. Nos dias atuais é possível artistas talentosas, como Esperanza Spalding dona de uma bela voz e simpatia contagiante. Quem vai ou já foi a um show dessa moça certamente se deixou envolver por uma energia positiva e uma sintonia incrível. Além dela, Stacey Kent com sua voz doce e suave envolve a todos com arranjos belíssimos; a francesa Zaz com seu estilo despojado canta acompanhada por violão, baixo e bateria, com efeitos de voz imita o sax, dando um toque especial e bem particular a sua música; a norte americana Madeleine Peyroux com sua voz marcante nos mostra um jazz com fortes influencias da grande Billie Holiday, mas sem perder a sua originalidade. No Brasil, temos a Blubell que movimentou a cidade de São Paulo com I charleston SP, trazendo de volta o clássico jazz anos trinta e sua dança – o charleston dance é um estilo de dança típico do jazz anos 20; e em Salvador temos o JAM que toca um jazz instrumental muito gostoso de se ouvir, todo sábado no finalzinho da tarde no Museu de Artes Modernas (MAM), com uma vista de encantar os olhos.

O jazz continua envolvendo e encantando por onde passa. Imprimindo o estilo vintage à música do século XXI, época de músicas eletrônicas e outras de qualidade duvidosa, onde, muitas vezes, os efeitos visuais das apresentações e a beleza dos artistas conta mais do que o repertório. No jazz, vemos shows extremamente simples onde vamos para apreciar a arte, apenas a música basta. Pelo Brasil, existem diversos festivais que promovem o encontro de artistas brasileiros e estrangeiros como o BMW Jazz, Borboun Street Festival, Sampa Festival, Circuito do jazz e outros que ocorrem em estados, como São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco que mostra a força de uma música de qualidade.

Zaz - Je veux:

Stacey Kent - Samba Saravah (Samba da Benção- Vinicius de Moraes):

Esperanza Spalding - What a wonderful world (Louis Armstrong):

Madeleine Peyroux - Smile (Charlie Chaplin):

Blubell - I Charleston SP


Larissa Mota Calixto

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