grand café

Dialogos com cinema e outras artes...

Larissa Mota Calixto

Escritora que adora jazz, folk, dias chuvosos, conversas interessantes e cinema.

A criativa pluralidade sonora entre portugueses, ingleses e móveis de acaju

Entre histórias e estórias, Móveis Coloniais de Acaju, hoje com quinze anos de carreira, acabou de lançar o seu terceiro álbum o De lá até aqui e reafirma sua pluralidade.



1005604_10151797556563132_618366123_n.jpg

A banda, Móveis Coloniais de Acaju, nasceu no ano de 1998, em Brasília. Bem, história curiosa é a de como a banda foi batizada. O nome surgiu para fazer uma homenagem à Revolta do Acaju, na qual índios e portugueses se uniram para expulsar os ingleses da Ilha do Bananal, em Tocantins. Os índios construíam móveis a partir da madeira de acaju. Daí surgiu o nome.

Garanto que os conhecedores da nossa história estão a se perguntar: “Revolta do Acaju?” Na verdade, trata-se de uma estória, uma brincadeira da banda. A Revolta do Acaju jamais existiu. Essa estória foi sustentada por muito tempo e, apenas em 2009, os músicos revelaram a verdadeira história para Revista Época.

Enfim, essa não é uma banda de rock comum com guitarra, baixo, bateria e voz, apenas. Traz influências diversificadas que lhe conferem personalidade. Na formação, muitos instrumentos de sopro misturam-se, reafirmando sua singularidade a um só tempo peculiar e plural por conta das referências musicais absorvidas durante sua trajetória.

Atualmente, contando quinze anos de carreira, seus componentes já tem muita coisa para contar. Em 2005, lançaram o primeiro álbum Idem, com influências do ska, rock e ritmos do leste europeu, recebendo então o apelido de “feijoada búlgara”; em 2007 estiveram na lista das cinquenta melhores músicas do ano elaborada pela Rolling Stones; com a música Sem palavras, em 2009, lançaram o seu segundo álbum C_mpl_te. Além disso, ganharam o prêmio Multishow na categoria Experimente e percorrem o país e o mundo, participando de festivais ao lado de grandes nomes, sem mencionar que desde 2005 tem um festival próprio, Móveis Convida, no qual recebem grandes nomes da música.

1185105_10151928501828132_548910451_n.jpg

Hoje lançam mais um álbum, De lá até aqui, que, segundo o vocalista André Gonzales, representa uma produção mais madura e particular que marca o “aqui” da banda. Os rapazes me cederam uma entrevista via Skype, por meio da qual falam sobre a sua trajetória e seus planos. Confiram o que rolou na entrevista:

Obvious - A banda foi apelidada de Feijoada Búlgara por misturar sons. Quais são os temperos dessa mistura? André Gonzales (vocalista) - A feijoada búlgara foi um termo que a gente usou para o primeiro disco Idem, porque nós usamos várias referências como ritmos do leste europeu e música brasileira. Além de algumas outras referências como o Ska. Então, ficou Feijoada Búlgara por conta dessa mistura.

Obvious - Quando saiu o segundo álbum da banda o C_mpl_te, André disse para a Rolling Stone que o primeiro disco saiu naturalmente, com o que a banda já tinha produzido e que o segundo disco é feito com mais cuidado. Você até comentou que queria tornar aquele disco um cartão de visitas da banda. E esse terceiro, como foi sua produção e quais são as expectativas?

1239482_10151921889753132_2067032478_n.jpg

André Gonzales (vocalista) – O C_mpl_te foi um momento em que a gente tentou encontrar uma identidade ou até mesmo fortalecê-la. Então, a gente abandona as referências e tenta trabalhar uma sonoridade própria, e o De lá até aqui, ele é um momento onde a gente já “tá”, digamos assim, mais maduro, mais adulto e mais certo do que a gente é. Então, foi um momento em que a gente expôs algo mais verdadeiro que é nosso, tanto que é um álbum mais emocional e romântico. A gente tem uma dinâmica maior onde as referências estão mais claras, o disco tem influência do soul, do funk da música americana, o rock como um eixo norteador, onde a gente discute qual é a cara do rock hoje, o que é rock do Móveis e a cara do rock de Brasília. Afinal, a gente é Brasília por conta dessa pluralidade que a gente tem. O rock por si só é plural assim como Brasília e o novo disco do Móveis, De lá até aqui.

Obvious - O currículo da banda está recheado de festivais pelos quais passaram também referências internacionais como a Alanis Morissette e Simply Red. Como é a experiência de tocar em festivais dessas proporções?

Gabriel Coaracy (baterista) - Acima de tudo é uma grande aula por ser enriquecedor pra caramba. A gente aprende muito com artistas “tops” que estão fazendo sucesso há algum tempo. Então, a gente fica lá atento, observando e tentando absorver tudo que a gente consegue. A estrutura costuma ser muito profissional, então a gente consegue aproveitar a estrutura para experimentar coisas novas e pegar sempre experiência. Enfim, é sempre uma grande troca e um grande aprendizado.

Obvious - Em 2005, a Móveis lançou um festival chamado a Móveis Convida por onde já passaram grandes nomes. Vocês poderiam falar um pouco sobre esse trabalho? Gabriel Coaracy (baterista) – A Móveis convida surgiu em 2005 quando a banda começou a circular pelo país. Começou com interesse de trazer bandas que nos receberam e nos abrigaram em outros lugares, e também mostrar para Brasília o que a gente tem absorvido por aí de novas referências. Além disso, temos o interesse de capacitar a cidade para receber festivais grandes e mostrar que ela tem sim condições para isso. Esse tem sido o nosso objetivo até hoje, então estamos aí pegando experiências e tentando melhorar. Obvious - Os clipes de vocês chamam sempre atenção pela criatividade e originalidade. Gostaria de saber sobre a produção de um em especial. Como foi a produção do clipe “Dois sorrisos”?

André Gonzales (vocalista) - O clipe Dois Sorrisos partiu da ideia do Steve — um parceiro nosso — a ideia era fazer uma serenata do dia dos namorados. Então, a gente ofereceu na internet para as pessoas se cadastrarem e falarem quem era o parceiro, o namorado, a namorada ou marido e tal, e do que essa pessoa gostava tipo Rio de Janeiro, carnaval, futebol. Aí no dia dos namorados a gente ligava pra essa pessoa e tocava a música Dois Sorrisos, fazendo uma serenata virtual em cima do tema, aí, no final a pessoa que oferecia a serenata fazia uma declaração de amor para o parceiro. Tudo em tempo real. Nesse dia, a gente fez trinta serenatas que depois de editadas viraram aquele clipe, que terminou com um pedido de casamento.

Gabriel Coaracy (baterista) – Essa foi a compilação de um dia de trabalho nosso.

André Gonzales (vocalista) – Um dia de trabalho que a gente perdeu o dia dos namorados. Nós brigamos com nossas mulheres porque passamos um dia inteiro fazendo declaração para os outros e não para elas. (risos)

424657_10151285410473132_723506032_n.jpg

Obvious - Em 15 anos de carreira, esteve em 2007 entre as cinquenta músicas do ano, com a música Sem palavras, segundo a Rolling Stone. Além de ganhar um prêmio Multishow, gravaram três CDs e sem dúvidas são uma referência em música alternativa no Brasil. O que mais vem por aí, o que vocês esperam para o futuro?

André Gonzales (vocalista) – Bom, o futuro é próspero. Então, a gente sempre espera melhorar, né?

Gabriel Coaracy (baterista) – A gente pretende melhorar, amadurecer. André Gonzales (vocalista) – A gente espera crescer. Acho que o De lá até aqui é um momento que reflete isso, inclusive no nome do disco De lá até aqui. Ele além de contar a nossa trajetória nesses quinze anos, onde aprendemos muita coisa, ele marca o nosso aqui. Acho que foi um disco mais leve, mais fluido e até mais fácil de fazer, onde a gente pôde se expressar de outra maneira. Acho então que o futuro é esse, seguir o caminho que “tá” além do alternativo e do independente, é um caminho que é nosso. Fazendo uma música que a gente curte fazer, que a gente acredita e que tenha a nossa cara e a cara de Brasília. Nós pretendemos alcançar uma cidade melhor, onde possamos fazer cultura com mais facilidade. E espero que o Brasil construa uma relação diferente com a arte e que valorize o que tem sido feito por aí, e, consequentemente, que a gente tenha um público maior, que a gente consiga comunicar e tocar mais pessoas, o nosso público sempre foi muito importante para gente.

Todas as fotos usadas nesta matéria foram retiradas da página da banda no facebook.

Página no facebook: https://www.facebook.com/moveiscoloniais

Confira o site da banda e ouça o novo álbum: http://www.moveiscoloniaisdeacaju.com.br/

Dois sorrisos:

Vejo em teu olhar:

O tempo:

Larissa Mota Calixto

Escritora que adora jazz, folk, dias chuvosos, conversas interessantes e cinema..
Saiba como escrever na obvious.

deixe o seu comentário

Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do obvious sobre as matérias em questão.

comments powered by Disqus
x1
 
Site Meter