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Dialogos com cinema e outras artes...

Larissa Mota Calixto

Escritora que adora jazz, folk, dias chuvosos, conversas interessantes e cinema.

O exótico hotel Marigold e os novos conceitos acerca da terceira idade

Terceira idade. O que você pensa sobre ela? Bom, não há como negar que de modo geral, essa fase é vista como infeliz, pois o fim da vida parece iminente. Mas, felizmente filmes como O exótico hotel Marigold, vem para nos mostrar que essa visão é muito limitada e chegou a hora de se reelaborá-la.


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Quantas vezes não ouvimos coisas como “a mamãe está muito idosa. Tem que parar. Vou trazê-la para morar comigo e assim ela levará uma vida tranquila”, “você já está muito velho pra isso!”, “não quero ficar velha e feia!” ou vemos idosos serem abandonados em asilos e serem tratados como incapazes. Os filhos querem se tornar pais dos seus pais e o restante do mundo aparentemente concorda que assim deve ser. Bom, foi exatamente uma visão contrária a tudo isso que falei que John Madden quis mostrar no seu filme, vencedor do Globo de Ouro de melhor filme na categoria musical/comédia. Vale dizer que, apesar do filme ser uma produção inglesa, encaixa-se perfeitamente em nossa realidade.

O filme aborda diferentes dramas, começando com a história da personagem Evelyn (Judi Dench, indicada ao Globo de Ouro de melhor atriz), uma mulher moderna, forte que acabara de perder seu marido, tem seu futuro discutido entre os filhos. Então, ela anuncia que não irá sair da sua casa e que irá fazer uma viajem para a Índia. Na mesma época, Muriel (Maggie Smith), outra personagem idosa, é deixada no hospital por seus patrões após se acidentar, precisando de uma cirurgia que só poderia ser feita, com certa urgência, na Índia e ela viaja para lá. Norman (Ronald Pickup), por sua vez, quer voltar a namorar, prática comum entre jovens e, aparentemente, inexistente na terceira idade. Não lhe falta amor para dar. A senhora Kappor também quer conhecer um novo amor. Cansada de ser babá dos netos, ela arruma as malas e sai da casa da filha contra a vontade de todos e, num momento de puro impulso, decide viajar. O paciente e gentil Douglas (Bill Nighy) resolve junto a sua áspera e mal humorada esposa Jean (Penelope Wilton) ir ao mesmo destino, assim como o recém-aposentado Graham (Tom Wikinson).

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Estes seis personagens não se conhecem apesar de morarem em Londres e partilharem de um drama comum: o preconceito relacionado à terceira idade e o fato de tomarem conhecimento de um certo anúncio publicitário no qual o sonhador indiano Sonny (Dev Patel) noticia um empreendimento de luxo cujos residentes estão em seus anos de ouro. Este jovem tem como objetivo salvar a herança de família com a criação de um lar maravilhoso para idosos onde eles se “recusariam a morrer”, como ele mesmo o diz. E, então, estes seis diferentes ingleses seguem para a Índia onde vivem experiências incríveis, fazem novos amigos e encontram ou reencontram o que procuravam.

Essa história leve, divertida e irreverente traz de forma descontraída uma visão mais otimista sobre a terceira idade e mostra que cada idade tem sua beleza, além de levantar questionamentos sobre como é ser idoso e os limites da melhor idade numa sociedade altamente consumista e preconceituosa. Vale a pena assistir e refletir sobre o tema.

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Filmes como esse se tornam cada vez mais comuns no cinema, demostrando uma necessidade de se rediscutir antigos conceitos e a maneira de enxergar a terceira idade no mundo ocidental. Em O exótico hotel Marigold, fica claro que nossos olhos estão começando a se voltar para certos conflitos de forma mais positiva e menos preconceituosa, admitindo que precisamos reelaborar antigas convicções sobre nossa condição humana.


Larissa Mota Calixto

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