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Dialogos com cinema e outras artes...

Larissa Mota Calixto

Escritora que adora jazz, folk, dias chuvosos, conversas interessantes e cinema.

Amor: uma reflexão profunda e minimalista

O filme Amor, do diretor Michael Haneke, traz um retrato realista e minimalista de um sentimento raro nos dias de hoje. Sentimento esse que supera o tempo e seus obstáculos, quando verdadeiro. O longa é uma verdadeira reflexão acerca do amor maduro.


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Amor é o nome do filme dirigido pelo Austríaco Michael Haneke, ou Amour no título original. Sem dúvida não há um título melhor para esse longa, que fala sobre um amor raro de se ver em tempos de efemeridade, de consumismo e busca de grandes inovações. Tempos nos quais mudanças são compreendidas como algo normal, esperado e contínuo.

Georges (Jean-Louis Trintignant) e Anne (Emmanuelle Riva), são um casal de aposentados que vivem em Paris e dão aulas de música, sendo ambos pianistas. A história se desenrola a partir de um derrame sofrido por Anne que a deixa parte do seu corpo paralisado, tornando-a altamente dependente do marido. Georges tem seu amor pela esposa posto à prova a partir dessa nova realidade.

Emmanuelle Riva, numa incrível atuação consegue demonstrar através do olhar o quanto aquela situação era constrangedora e humilhante para Anne, uma mulher forte e independente.

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Essa bela e triste história é retratada de forma muito intimista e minimalista, quase sem trilha ou efeitos sonoros o que, por vezes, confere ao filme uma certa lentidão. Esse aspecto, por outro lado, parece conferir-lhe mais realismo, revelando, muitas vezes, um trabalho mais intenso do elenco já que, durante o filme, fica evidente a intenção de captar os olhares e o tom de voz.

Essa simplicidade levou-o ao Festival de Cannes no qual recebeu a Palma de Ouro. Os prêmios não pararam por aí, a atriz Emanuelle Riva, ganhou o Globo de Ouro, premiação merecidíssima como melhor atriz. Além disso, o longa foi indicado a cinco Oscars, dentre eles, os de melhor atriz, melhor filme estrangeiro, melhor diretor, melhor roteiro original e, o cobiçado, melhor filme. Eu defino Amour como um show de atuação e um filme para ser sentido e não simplesmente assistido ainda hoje, só para conferir.


Larissa Mota Calixto

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