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Dialogos com cinema e outras artes...

Larissa Mota Calixto

Escritora que adora jazz, folk, dias chuvosos, conversas interessantes e cinema.

Uma questão de sonhos engavetados

Ano novo vida nova! Para o primeiro texto do ano, que tal não falar de filmes ou música e fazer diferente? Falar de nós mesmo. Ou melhor, sobre nossos sonhos que foram engavetados em 2014.


IMG_1574.jpg Foto de Luan Magno

Virada de ano é assim: cercada por superstições, promessas e regada pela esperança de renovação. Parece uma segunda chance dada pelo o universo de recomeçar e fazer o melhor por nós mesmos.

Mas, de onde vem a recorrente necessidade de renovação sentida nos finais de ano? Será um ano o suficiente para nos saturar ou será que sempre adiamos nossos sonhos para o ano seguinte ao invés de buscar alcança-los já? Se pensarmos nas promessas feitas, constataremos como se repetem e concluiremos mais um ciclo com a mesma bagagem de sonhos não realizados. Por quê?

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Quando o brilho da noite da virada passa e retornamos para nossas casas, percebemos que está tudo igual. Casa precisando de reforma, insatisfação com emprego e família com seus problemas habituais. Enquanto estamos entretidos pela magia da virada temos esperança de quando ela desaparecer leve consigo todo o incômodo num estalar de dedos: os quilinhos a mais, ou aquelas dívidas de fim de ano. E quanto as coisas boas? Bem, essas deveriam cair do céu, bem em nosso colo: aquela viagem sonhada e deixada de lado diversas vezes durante o ano, pois, no presente, nunca há tempo para essas coisas e amanhã você estará velho e cansado. A vida passa e a maioria das pessoas se arrepende daquelas coisas que tiveram medo ou não tiveram tempo de realizar. Muitas dessas coisas, coincidentemente, são aqueles projetos e promessas de fim de ano.

O medo paralisa, dizia uma grande amiga. Percebo que essa é a mais pura verdade. Existe algo mais primitivo e dominador do que o medo? Quantas coisas deixamos para depois com desculpas, como de falta de dinheiro ou falta de tempo, mas que, no fundo, se resumem apenas a um medo irracional do desconhecido?

unnamed.jpg Foto de Luan Magno

2015 está apenas começando. Não é mais o primeiro dia do ano. Muitos estão trabalhando outros, viajando. E quanto aos sonhos e projetos? Alguns já começaram a ser engavetados inconscientemente. A solução talvez esteja em nos questionarmos sobre o que está faltando para aquele sonho se tornar real. Relembrando Renato Russo, que dizia:

Nunca deixe que lhe digam

Que não vale a pena acreditar no sonho que se tem

Ou que seus planos nunca vão dar certo

Ou que você nunca vai ser alguém

O ponto talvez seja acreditar mais em nós mesmos e tomar as rédeas da nossa vida. Afinal a nossa felicidade só depende da gente. Então, porque deixar para depois aquilo que pode te fazer feliz hoje? A felicidade, creio eu, está sempre nos pequenos prazeres da vida e naquela sensação de: “eu consegui!” Você já parou para observar a beleza de um pôr-do-sol ou da lua? Quem encara a vida com mais leveza e percebe a poesia das pequenas coisas, certamente é mais feliz.

Se hoje está de mau humor, olhe para o espelho e sorria, ou carregue essa tristeza até o final de 2015. Dessa forma, você vai estar dando graças a Deus pelo término de um ano terrível e, certamente, estará fazendo as mesmas promessas ao invés de agradecer pelas realizações de um bom ano e assim caminhar rumo às novas conquistas. Todos passam por adversidades. Só você pode fazer com que seu dia ou seu ano seja melhor apesar de todos os obstáculos e desafios. Talvez seja apenas uma questão de ponto de vista.

Feliz 2015!

P.S: Optei por fotos para fazê-los viajar na beleza do simples. Inspirem-se.


Larissa Mota Calixto

Escritora que adora jazz, folk, dias chuvosos, conversas interessantes e cinema..
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