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Dialogos com cinema e outras artes...

Larissa Mota Calixto

Escritora que adora jazz, folk, dias chuvosos, conversas interessantes e cinema.

Clamamos por transgressores que tornem o mundo mais humano!

Segundo Simone de Beauvoir, no livro o Segundo Sexo, a mulher tem sido posta na categoria do outro. O homem tem representado o ponto positivo e o neutro, a ponto de usarmos a palavra “homens” quando queremos nos referir aos seres humanos como um todo. A mulher então aparece como o ponto negativo, de modo que toda determinação lhe é imputada como limitação, sem reciprocidade.


O livro citado foi publicado em 1949 e, de lá pra cá, podemos dizer que as coisas estão caminhando para mudanças em alguns segmentos da sociedade em diferentes lugares no mundo. Direitos vieram sim a serem conquistados, mas não podemos dizer que as ideias feministas estão ultrapassadas. Por exemplo, no nosso país apesar de existirem leis que legitimam os direitos das mulheres essas leis ainda não chegam para todas da mesma forma e, muitas mulheres, ainda ocupam a posição do “outro”. E enquanto houver mulheres no mundo sendo limitadas a essa categoria o movimento feminista torna-se sim necessário.

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No documentário “estado unidense” Girl Rising, dirigido por Richard E. Robins, a partir de historias de nove garotas de diferentes lugares do mundo, ele nos mostra como meninas ainda enfrentam dificuldades para estudar pelo simples fato de terem nascido meninas. Engana-se você ao pensar que essas realidades existem apenas em lugares remotos e bem distantes de nós. Não precisamos ir muito longe para ver exemplos como aqueles mostrados no filme. Algumas historias são de superação, outras nos mostram realidades muito dolorosas, que, por vezes, parecem estar tão distantes de nós...

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Em alguns lugares do mundo, como no Afeganistão, escolas para meninas foram proibidas por muitos anos. No entanto, existem mulheres corajosas o suficiente para enfrentar um estado extremista, como aquelas que compõem a Rawa (Associação Revolucionaria de Mulheres no Afeganistão). A associação existe há mais de 20 anos e, apesar das ameaças de morte vindas do Talibã, mantiveram-se firmes, lutando pelos diretos das mulheres, organizando escolas clandestinas para meninas, entre outras “transgressões”. Hoje o Talibã não está mais no poder. As escolas para meninas estão sendo abertas e algumas mudanças estão começando a acontecer, dando passos tímidos, pois, o radicalismo religioso ainda é uma realidade e o trabalho da associação ainda está longe de acabar.

No dia 30 de junho, pela primeira vez, uma mulher foi indicada pelo presidente Ashraf Ghani (eleito em 2014) para assumir um cargo no Supremo Tribunal do Afeganistão. Anissa Rassuli, magistrada com grande experiência, ainda terá de ser aprovada pela Câmara Baixa do Parlamento, para poder assumir o cargo. A bancada em questão é composta por um grande número de religiosos conservadores.

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O mundo precisa de mais “transgressores”, mais rebeldia, mais coragem para se desconstruir preconceitos, e assim tirar mais pessoas da condição de “outro”. Afinal, não são apenas as mulheres que ocupam essa posição.

P.s: As fotos que ilustram esse post são dos trabalhos das grafiteiras afegãs Shamsia Hassani e Malina Suliman. "Trangressoras" que usam da arte para gritar por liberdade e paz, colorindo lugares marcados pela guerra dando-lhes vida. E para elas feminismo no Islã vai bem além de usar ou não usar burcas.


Larissa Mota Calixto

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