Flavia Werlang

Flavia Werlang dá dicas para outras mães na mesma situação, tira dúvidas jurídicas, conta histórias de outras mulheres, entrevista especialistas a fim de tornar esta experiência solitária mais fácil e sem tantas dúvidas.

Não poderei te culpar pelo que não fui

Muitas mulheres abrem mão da própria vida durante os primeiros anos dos filhos. Enquanto eles crescem, a vida destas mães entra no automático e, quando veem, está na hora do filho seguir seu rumo e, ao olhar para trás percebem que deixaram suas metas, objetivos e sonhos em stand-by em algum lugar do passado. Neste momento, se dão conta que os filhos são criados para o mundo e se perguntam em que parte do caminho deixaram sua identidade. Por isso, vale a reflexão para as mães que ainda têm tempo para mudar esta trajetória.


DSC_2561.JPGQuantas vezes depositamos na maternidade algo que ela não tem a responsabilidade de nos dar? São noites em claro por causa da cólica. Abrimos mão de um novo relacionamento porque ainda não é hora de colocar mais alguém na nossa vida, pois achamos que o filho é prioridade. O lado mulher, enfim, fica em segundo plano junto com a vaidade. Fácil distinguir uma mãe diante de uma mulher que não tem filhos: a primeira não come, engole a comida; não escova os cabelos, passa a escova sobre os fios como dá, enquanto o filho pede atenção; não escolhe a roupa, põe a primeira peça que vê pela frente. E assim o dia a dia vai se encaixando um sobre o outro, numa sequência de horas sincronizadas para dar conta da logística, sem nos darmos conta que janeiro a dezembro voaram e fazemos novas promessas para o ano que vem. Quando percebemos, estamos na nova maratona desta série sem fim. E quantas oportunidades de emprego, de uma carreira, de uma nova opção de vida foram colocadas de lado? E as chances de conhecer alguém bacana? E o desejo de ser vista além da mulher que carrega o carrinho de bebê ou a criança no colo? Há vários empecilhos e já escutei muitas frases do tipo: “Esquece, só tente de novo quando sua filha tiver quinze anos”, em uma das vezes que busquei voltar ao mercado numa cidade maior. Sempre haverá problemas, obstáculos e pessoas para nos desestimular. Mas lembre-se que, como já dizia o poeta, “a vida não para”. Não criamos os filhos para nós. Eles são do mundo. Daqui a dez anos estarei com 45, com mais rugas no rosto e, provavelmente, defasada para o mercado. Não terei a mesma energia, poderei estar com diabetes, hérnia de disco ou osteoporose. Sem contar com a falta de brilho nos meus olhos, que terão se perdido junto com meus sonhos. Por isso, filha, te crio para o mundo. Não te coloco em uma redoma de vidro – nem em um material mais resistente – e vou em busca de um espaço onde eu possa ser uma mulher realizada profissionalmente, tenha a oportunidade de ser valorizada pela minha capacidade, ter um salário digno para te sustentar e, assim, ser uma mãe melhor. A melhor mãe que eu posso te dar é uma pessoa feliz, que não desconte em você as frustrações, não te faça cobranças e não te culpe pelo que não foi. “Tamo junto” nesta busca pela felicidade mútua.


Flavia Werlang

Flavia Werlang dá dicas para outras mães na mesma situação, tira dúvidas jurídicas, conta histórias de outras mulheres, entrevista especialistas a fim de tornar esta experiência solitária mais fácil e sem tantas dúvidas. .
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