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Regressar às origens... quando tudo falha

Luís Pereira

Chamo-me Luís Pereira e quero acreditar que o homem tudo pode. Só não consegue mudar a sua própria condição, de quem vai com Caronte. Só nos resta ouvir a prosa e a poesia da "nossa Grécia".

Os sentidos da paisagem - uma força de expressão

Quantas vezes as palavras não bastam para expressar o que sentimos? Quantas formas de comunicar conseguimos ter, diariamente? Afinal, qual o limite das palavras? O mesmo da visão? O mesmo do sentimento? A paisagem ajuda-nos a perceber limites e antes de nos atrair a ela, já estamos nela. Como explicar isto?


Uma das diferenças entre a beleza e a fealdade é a capacidade de uma nos atrair e a outra não. Mas será que existem paisagens feias? O palco do mundo a que nós assistimos como espectadores chega-nos como se viesse do "além", prendendo os 5 sentidos humanos.

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As "palavras" das paisagens são emitidas pelo vento ou pelo mar mas, assim como a beleza de um corpo humano nos pode despertar emoções inexplicáveis, as cores e os relevos do cenário dinâmico, em tempo real, que uma paisagem traz, faz de nós o que não conseguimos ser sempre, mesmo que queiramos. Torna-nos "exteriores" a nós próprios e confronta-nos com o que somos.

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Há, na paisagem que se sente, uma dimensão que conjuga duas: a dimensão do real e a da representação. A natureza concede-nos a imagem da sua essência mas o nosso olhar que se encontra carregado de simbolismos, sentidos e ideias prévias, acaba por codificar a realidade, tornando-a representativa de algo que a pessoa possa sentir. Imediatamente, uma paisagem torna-se o que a pessoa sente dela.

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A paisagem do real pode acabar por não ser mais do que a produção e a "re-produção" que se faça dela, podendo ser uma coisa ou outra completamente diferente, imediatamente depois da primeira. É neste contexto que uma paisagem através da qual nos sintamos próximos, possa nos identificar mais do que a nossa própria imagem física. Isto porque a nossa imagem, sendo uma reprodução nossa, de nós próprios, com objectivos próprios, pode contraditar a percepção que temos de nós. Já quanto aos nossos significados, emoções e sentidos, não os conseguimos enganar. Podemos fazê-lo mas sob pena de o azeite que misturamos com a água, acabar por vir sempre ao de cima.

Milton Santos refere que a paisagem é uma construção transtemporal e transversal nossa. Aqui, o facto de a termos nos nossos sentidos, permite-nos imortalizá-la, de algum modo. Esta não existe apenas enquanto forma pois o seu conteúdo é social. No limite, não existe uma paisagem mas "paisagens" e arrisca ser como aqueles cartões de crédito virtuais. Não existem fisicamente mas sempre, nos nossos sentidos. Se a quisermos tocar, já não é paisagem. É, simplesmente, espaço. image4.JPG


Luís Pereira

Chamo-me Luís Pereira e quero acreditar que o homem tudo pode. Só não consegue mudar a sua própria condição, de quem vai com Caronte. Só nos resta ouvir a prosa e a poesia da "nossa Grécia". .
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