Gui Mendes

Vence por pontos e não por nocaute

Você conhece esse McConaughey?

Esse tal de Matthew, que ganhou o Oscar de melhor ator em 2014, é o mesmo que fez Como perder um homem em 10 dias?


Anos atrás, jamais me imaginaria comemorando um Oscar dado à um ator que conheci assistindo as suas, bem fracas, comédias românticas. Como um simples exercício de preconceito, continuei o acompanhando, mesmo que sem querer, à medida que apareciam aqueles domingos chuvosos, onde é comum assistir filmes ruins enquanto se come alguma porcaria. Foi só em 2011, que o vi em Killer Joe interpretando um personagem que não fazia parte do seu estereótipo, de certo modo, mesmo ele já tendo se aventurado em outras águas no passado. Lembro-me exatamente do meu pensamento na época: "Será que, finalmente, esse tal de Matthew parou para ler os roteiros que lhe entregam?"... E parece que foi exatamente o que aconteceu.

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McConaughey finalmente me apresentou um personagem bem construído com seu rosto estampado nele. Olha que coisa, não esperaria isso vindo da mesma pessoa que "atuou" em The Wedding Planner. Mal sabia eu o que estava por vir. Talvez ali tenha sido o inicio de um "desabrochar" que, geralmente, acontece com grandes nomes do cinema. O Andy Hoglund do Huffington Post chama isso de "acting streak", os períodos onde as lendas da interpretação criaram seu nome, como uma era de ouro pessoal para cada um deles.

O que antes poderia ser visto como piada, ao colocar Matthew McConaughey numa lista ao lado de nomes como Pacino ou Brando, hoje é visto, apenas, como uma visão prematura do que, consequentemente, pode acabar acontecendo. A imprensa especializada americana aposta que o texano chegará a tal patamar em alguns poucos anos, e não duvido. Percebo que os Matthews já não são os mesmos. Sua atuação magistral em Dallas Buyers Club serviu, de uma vez por todas, para acabar com a estigma que rondava seus antigos papéis. Numa forma tal que lhe rendeu a tão sonhada estatueta, sendo esta, apenas o início do que há por vir. Ou assim espero.

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Estou gostando deste novo McConaughey que, até então, eu desconhecia. Seja pela coragem das escolhas dos papéis, ou pela forma como o mesmo se encara, de forma mais madura. Muita gente não entende essa mudança pois, costuma não se lembrar tanto dos filmes que ele costumava fazer. Coloco aqui, à título de comparação, o seguinte: Seria o mesmo que se, atualmente, o Channing Tatum também começasse a se levar a sério em papéis, de verdade, em seus futuros filmes.

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Agora com o final do seriado da HBO, True Detective, onde compartilha os méritos da atuação com Woody Harrelson(que já foi irmão do McConaughey no primeiro filme em que o vi - EDtv), ele alça vôos pelo desconhecido no papel do pessimista Rust Cohle. O detetive drogado, obsessivo-compulsivo e ateu. Que impressiona, principalmente, em sua composição psicológica(e até física em alguns momentos) feita pelo Matthew, além, é claro, da excelente narrativa e construção da diegese contida no universo da série.

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Imagino que, agora, podemos aguardar por mais, afinal, ele ainda tem uma, relativamente, nova carreira pela frente(e Interstellar, do Nolan, chega no fim deste ano!). Hoje não mais digo que é impossível que, em alguns anos, estejamos o colocando em um ponto de destaque, onde poucos atores jamais estiveram. Exceto a Meryl Streep, que é a única que já foi citada mais vezes que Deus, nos discursos dos vencedores do Oscar.


Gui Mendes

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