Gui Mendes

Vence por pontos e não por nocaute

A fixação simétrica de Wes Anderson

Assim como Scorsese gosta de representar o vermelho, e Tarantino filma os pés de suas personagens marcantes, Wes Anderson possui a refinada, e calculada, composição proporcional dos quadros.


Eu me apaixonei pelos filmes do Wes Anderson ainda muito cedo. Ficava espantado com a fotografia quando mais jovem, as cores influenciadas pelos anos 70 numa paleta saturada e aquele estilo único de transformar cenas simples em quadros únicos, esteticamente, incríveis. Mas tinha um algo mais que me prendia, a cada novo filme. Além dos conflitos existenciais tragicômicos, existia um caráter peculiar em suas películas, que até então eu desconhecia, mas que me agradava harmoniosamente.

wesandersonset.jpg

Foi quando vi o vídeo "Centered", feito pelo cineasta Kogonada. Nele eu entendi não só o motivo de não me cansar dos filmes do Anderson, mas também entender parte de sua genialidade. Era uma marca em comum que unia todos seus filmes que já tinha visto até então, algo que sempre esteve lá, e geralmente não notamos quando vemos pela primeira vez. Era a elegante simetria de Anderson.

Ao adicionar uma linha pontilhada branca no meio dos quadros, o vídeo de Kogonada, mostra a composição imaculada nas cenas de toda a filmografia do diretor. Quer se trate de um rochedo, um close num personagem, o zíper de uma cabana se abrindo, ou um edifício, algo, quase sempre, é colocado num ponto, meticulosamente, calculado, como um reconfortante "feng shui" cinematográfico, acontecendo em ambos os lados do panorama em questão.


Gui Mendes

Vence por pontos e não por nocaute.
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