Gui Mendes

Vence por pontos e não por nocaute

sobre Frank e a complexidade do artista

Frank nos mostra sobre o incompreensível método da criação e sobre o que é ser um verdadeiro artista.


frank.jpg

Todo aquele que se considere, minimamente, um artista, já se deparou com momentos labirintíticos da própria consciência trabalhando por si só, em linhas tortuosas. Seja um escritor que transforma uma página branca em algo palpável e mágico, um pintor que converte seu sentimento numa tela, ou um músico que transfere uma emoção ao longo das palavras, e melodia, das suas composições. Só que todos eles, por mais completos que sejam, as vezes não conseguem passar a verdadeira mensagem para os outros que os acompanham.

Frank(2014) começa com um aspirante à músico, na difícil tarefa de compor uma nova canção. Aprendemos rapidamente que ele possui um trabalho insatisfatório - um cubículo clássico -, pais que não o compreendem verdadeiramente, e uma voz que quer alcançar o mundo. Tudo muda, rapidamente, quando um pequeno acidente, envolvendo um tecladista com tendências suicidas, o leva à uma pequena apresentação como substituto. Conhecemos Frank, um homem com uma máscara de papel machê e a banda Soronprfbs(algo impronunciável até entre os integrantes da mesma).

frank02.jpg

É aí que o filme, realmente, começa. O personagem que dá nome ao filme, é, no mínimo, curioso. Após o show acabar em um desastre, ainda na primeira música, Jon(o aspirante) é convidado para a gravação do disco da banda, que será numa casa de campo afastada do mundo, na Irlanda. Lá ele aprende mais sobre os próprios componentes da Soronprfbs, as nuances individuais e excêntricas(como o produtor que possui uma tara por manequins) de cada um, e aprende sobre Frank e seus métodos alienígenas de criação. A forma como que nunca tira a máscara(mesmo no banho), seus incentivos lúdicos e sua, enigmática, capacidade de atrair as pessoas dos mais diversos tipos.

O filme questiona o que é bom e o que é, necessariamente, ruim no meio artístico. Enquanto Jon tenta criar um hit de sucesso - até POP eu diria - Frank constantemente o leva ao lado alternativo e simples de ver o mundo, catequizando-o. A simplicidade de fazer o que realmente se quer, leva a história para um lado à ponto de chocar essas duas realidades, mostrando as verdadeiras personalidades dos integrantes da tão exótica banda em situações estressantes e reveladoras.

frank3.jpg

No fim, Frank, é sobre a mensagem que o artista quer passar. Seja por suas experiências do passado, insanidades aleatórias ou por um breve desejo momentâneo. Levantando pontos sobre como o público recebe o “diferente”, e como o meio entre o artista e o coletivo mais parece um telefone sem fio, que, as vezes, funciona.


Gui Mendes

Vence por pontos e não por nocaute.
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/cinema// @destaque, @hplounge, @obvious, @obvioushp //Gui Mendes