Gui Mendes

Vence por pontos e não por nocaute

A gente não cabe no guarda-chuva

Uma despedida.


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Não é porque não nos demos bem, nem porque o guarda-chuva quebrou, o vento só pegou a gente desprevenido e achamos que foi melhor assim. Largar a segurança de uma sombra e buscar a proteção de um viaduto. Eu me molhei todo, você também - tenho certeza - mas uma hora a gente há de secar. Sempre seca.

Será a última vez que a gente se aninha fugindo da chuva, a aba da minha calça já estava ensopada, suas pernas também - o vestido não cobriu- e foi assim, já estávamos nos encharcando bem antes de qualquer maneira. A gente divide um táxi na volta, quem sabe um dia a gente se encontra por aí, mas o guarda-chuva a gente não divide mais.

Meus cabelos, tão bagunçados quanto nossas memórias, vão crescer, serão cortados e ainda continuarão molhados. Mas uma hora há de secar. Seus sapatos que lhe dei, cheio de formigas, já afundaram na lama. Mas uma hora há de secar. A camisa que me deu, tão umedecida e colada ao meu corpo, já desbotou. Mas uma hora há de secar.

Se até o mar de palavras entre nós secou, uma hora a gente também há de secar...


Gui Mendes

Vence por pontos e não por nocaute.
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