gutto carrer lima

Escolha ter e terá até o fim. Escolha ser e será infinito.

Gutto Carrer Lima

Durante trinta anos, fui publicitário. Escrevo alguns poemas e exponho minha percepção do mundo, mas nada disso me define. Independentemente de formação, profissão, sexo, idade, classe social, intelecto ou quaisquer rótulos sociais que autorizariam ou não a ser, antes sou um ser humano e como você, acredito que tenho num corpo, um espírito, uma alma, coração e mente que escrevem o que sentem. A partir da intuição, nossos talentos se manifestam e na razão, eles se organizam. Assim escrevi Desapego©, meu primeiro livro.

DESAPEGO

Os testes do desapego são imperativos ao dizerem: Viva feliz sem isso! O desapego não consistia em desfazer-me de bens materiais ou conformar-me com as perdas, e sim, em não depender do que eu tivesse nem importar-me em demasia com o que desejasse ter e não podia.


Desapego na estrada.jpg

Ao morar num carro, experimentei o desapego de coisas e confortos. Ao sair do campo, tive que aprender a desapegar-me de um lugar. Morar na periferia foi uma submissão à revisão de valores, previamente ciente de que ela aconteceria na marra para esquecer-me de velhos conceitos burgueses adquiridos que eu nem sabia o quanto eram fortes, e por isso ainda conservaria o direito a certos privilégios, apesar de um cenário difícil. Tal como construir uma casa em que coloca-se tijolos um a um, às vezes é preciso derrubar dois para ajustar o prumo. Eu derrubava paredes inteiras. – Seria este o movimento universal? Ir e vir, subir e descer, construir e desconstruir, ganhar e perder, apegar e desapegar para renovar, nascer e morrer para talvez renascer? – Assim era a minha vida, uma constante ebulição entre opostos, intrínseca aos caóticos processos de construção que só alcançam o equilíbrio quando conclui-se a obra. Porém, o caos da vida só termina quando ela acaba. Eu teria que aceitar que cada instante entre um extremo e outro era a vida acontecendo em balanço, e a gratidão, o reconhecimento pela oportunidade de estar vivendo-a com todas as suas graças e dificuldades. Restava ainda desapegar-me de pessoas, da autoimagem e obrigação de ser bem sucedido. O desapego não consistia, afinal, em desfazer-me de bens materiais ou conformar-me com as perdas e sim, em não depender do que eu tivesse nem importar-me em demasia com o que desejasse ter e não podia. Uma pessoa rica e caridosa poderia ser mais desapegada que outra pobre e mesquinha, portanto, o desapego iria muito além da opção espontânea por não possuir. Não haveria mal nenhum em ser próspero e ter em abundância desde que isso não implicasse em avareza, ganância e qualquer tipo de injustiça. Eu aprendia que desapegar é não sentir falta do que se abriu mão; é não querer cada vez mais; é verdadeiramente não fazer questão de ter, tendo ou não. Viver na contramão do sistema e continuar desejando os seus deleites não daria certo. Nem tão pouco fazer voto de pobreza porque a fixação demasiada numa ideologia também é apego. Desapegar é não sofrer por qualquer escolha ou desejo, inclusive o desejo por não desejar. E ainda assim, manter a vontade de viver, sem desejar nunca morrer. Entre entender um conceito e realmente aplicá-lo na própria vida, haveria um longo caminho cuja distância só poderia ser conhecida enquanto percorrida.

Trecho de Desapego - O Livro (Copyright © 2017 Desapego)

Desapego O Livro


Gutto Carrer Lima

Durante trinta anos, fui publicitário. Escrevo alguns poemas e exponho minha percepção do mundo, mas nada disso me define. Independentemente de formação, profissão, sexo, idade, classe social, intelecto ou quaisquer rótulos sociais que autorizariam ou não a ser, antes sou um ser humano e como você, acredito que tenho num corpo, um espírito, uma alma, coração e mente que escrevem o que sentem. A partir da intuição, nossos talentos se manifestam e na razão, eles se organizam. Assim escrevi Desapego©, meu primeiro livro..
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