há algo de novo no front

Porque boas e más notícias fazem parte da guerra musical

WilliaN Correa

Willian Correa é formado em História e Jornalista da Rádio Mix FM Litoral em Bombinhas - SC. Além disso ele escreve sobre música desde 2008 e sempre acha um tempo pra falar de futebol.

O retorno do Ira! Nova tour, Nova formação, Mesmo Espirito (entrevista com Nasi)

Depois de um hiato de 7 anos, a lendária banda paulista retorna aos palcos com tudo. Nesse artigo, além de saber como está sendo essa volta, você confere os detalhes do show que eu acompanhei e de lambuja, ainda tem o interessante bate papo que eu tive com o vocalista Nasi. Conversamos sobre produção, Gang of Four e Andy Gill, The Clash, nova Tour, mercado musical e claro, futebol.


ira.jpgLuzes vermelhas acesas anunciam a chegada de um faroeste sobre o terceiro mundo. Acompanhada pela batida da bateria do violão e piano entra em cena "Rubro Zorro" música ovacionada pela casa lotada. Essa foi a tônica que se seguiu durante o show do Ira! que assisti na minha terra natal Guarapuava PR. Foi o 8º show da tour intitulada "Núcleo Base", iniciada na virada cultural de São Paulo em maio, marcando o retorno de uma das bandas mais importantes do Brasil depois de um hiato de sete anos.

Não sou de ficar jogando confete atoa, mas nesse caso é impossível não falar bem de algo que eu pude conferir de perto, esqueça os pontos baixos da banda do início dos anos 90 em que os problemas pessoais e com gravadores prejudicaram o trabalho.O Ira! agora é como uma banda de garotos sedenta por tocar seu rock e levar isso pro maior número de pessoas possível. Nessa nova fase a banda paulistana perdeu dois integrantes originais, Ricardo Gaspa e Andre Jung, entretanto, Nasi e Edgard Scandurra (membros fundadores), escalaram para a nova formação: Daniel Rocha (baixo), Evaristo Pádua (bateria) e Johnny Boy (teclados). Todos dão conta do recado muito bem, fazendo parecer que já estão tocando juntos a anos.

Isso não é só uma prova de qualidade, vitalidade e de que a banda ainda tem “lenha pra queimar”, como o próprio Nasi afirma na entrevista que segue abaixo, é prova, que a banda venceu dificuldades, sejam elas das drogas durantes o inicio dos anos 90 ou as brigas que ocasionaram o rompimento da banda em 2007. Por um lado, essas brigas serviram para que cada um pudesse trabalhar em seus próprios projetos, Nasi lançou os ótimos "Vivo na cena" e "Perigoso". Enquanto Edgard Scandurra lançou "Amor Incondicional" e "Edgard Scandurra ao vivo". Todos sabem que chega um momento na vida que a relação acaba ficando desgastada, seja na família, no relacionamento, amizades enfim. Imagine em uma banda que tem mais de 30 anos de convivência? Ah William mas os Rolling Stones estão a mais de 50 anos juntos. Sinto informar que Mick Jagger não dá nem bom dia a Keith Richards desde o início dos anos 80 (mas isso é assunto pra outro texto). Voltando ao Ira! esse período de hiato só fez bem a banda, era o tempo que precisavam pra sentir que juntos no palco Nasi e Edgar Scandurra nasceram um para o outro. 10441172_458422427635801_4511070743105308372_n.jpg Como sempre, é de se espantar a técnica de Edgard Scandurra com sua guitarra e a segunda voz inconfundível, Nasi (cada vez mais parecido com o Léo Jaime por sua forma física) com sua voz anasalada característica, conduziu o caminhão de clássicos e também de músicas que fazem parte do Lado B da banda. Durante o show o publico pode conferir no setlist músicas como: "Envelheço na cidade", "Pobre Paulista", "Coração", "Gritos na Multidão", "Flores em você", "Núcleo Base", "Rubro Zorro", "Prisão das Ruas" e uma inédita que certamente vai grudar nos ouvidos de todo mundo. O único ponto baixo eu diria é que como sempre acontece longe das capitais, o público se empolga mais com os sucessos e quando entra um Lado B a energia cai um pouco, nada que comprometesse o ambiente e a apresentação.

Após o show pude bater um papo muito bacana com o vocalista Nasi que me recebeu muito bem (pra variar a primeira coisa que ouvi quando entrei no camarim foi Olha o Nando Reis! ossos do ofício) Conversamos sobre a nova turnê, influências, mercado musical, entre outros assuntos que você vai conferir agora:

Depois do período de hiato da banda, como tem sido esse retorno aos palcos do Ira! e a recepção do público nas cidade em que a turnê tem passado?

Nasi- Tem sido bastante emocionante, hoje você mesmo pode conferir. Estamos fazendo um show tocando muitos Lados B, então isso mostra que tem uma geração de fãs do Ira! garotos, que conhecem essas músicas dos primeiros discos do Ira!, isso com certeza tem haver com o poder que a internet tem. Se por um lado a internet complicou a relação entre o artista, o compositor e o consumidor, por outro lado propiciou coisas como essa né? Garotos hoje estão descobrindo o Ira!, estão descobrindo Led Zeppelin, descobrindo Sex Pistols. Coisas essas que se dependessem dos canais de música, das rádios, eles jamais saberiam que existem. Então, eu acho que isso está refletindo muito na nossa volta e uma coisa eu te falo, claro que a gente só voltou por dois motivos, três motivos! Porque a gente sentiu que ainda tínhamos lenha na nossa fogueira, porque nosso público pediu e porque a gente se determinou a fazer um show ainda melhor do que era o show do Ira!. Uma coisa eu te digo, esperávamos até uma coisa menor, não tanta procura de show como está tendo. Nós estamos em um momento do país em que existe uma certa crise econômica e o rock não tá muito bem na fita em termos de mídia. No entanto, nossa agenda tá alucinada, o que é bom porque sem modéstia nenhuma eu te digo, nós fazemos um puta show de rock. É isso que a gente quer passar para os garotos que estão sonhando em ter uma banda de rock, que ainda existe magia em ter uma banda de rock, que os grooves de uma bateria, as distorções de uma guitarra ainda podem contagiar.

Hoje em dia muitas bandas de rock no Brasil não conseguem sair do underground e quando conseguem ficam reféns da indústria. O que você acha que está acontecendo hoje em dia seria um problema das rádios? do próprio mercado musical?

Nasi- Olha nos vivemos momentos diferentes né?O Ira! se mantendo fiel aos seus princípios, teve momentos de sucesso muito grandes. Nós fizemos um projeto como o acústico MTV que pra muitos foi um projeto comercial, mas nós fizemos a nossa maneira, uma maneira musicalmente muito bem composta, muito bem trabalhada. Não fizemos um acústico só por fazer um acústico. O Ira! teve uma música em uma novela em 1986 (Flores em você) nós fizemos um arranjo sofisticado. O Ira! é um elo perdido entre o alternativo e o mainstream. A gente continua como uma banda que para o mundo alternativo é mainstream e para o mundo mainstream é alternativo. Eu não sei, por exemplo, como funcionária o Ira! em um festival de verão de Salvador, Abertura da copa, entendeu? (risos) Cara, se eu tivesse essa solução eu estaria montando minha própria gravadora tipo Subpop (risos) então eu acho que os garotos tem que fazer música, montar suas bandas que uma hora o jogo vira.

Falando um pouco sobre discografia e influências. Anos atrás vocês quase puderam trabalhar com o Andy Gill (fundador do grupo britânico Gang of Four), além disso, na turnê vocês estão tocando músicas do álbum “Psicoacústica” eu acho que esse disco é o “Sandinista” (álbum da britânica The Clash) do Ira! Você concorda?

Nasi- É uma excelente comparação! Ainda mais eu que sou fã do Clash, porque é o disco experimental deles né? Depois do grande sucesso deles que foi o “London Calling”. Agora essa questão do Andy Gill é o seguinte cara, ele anda namorando aqui no Brasil, ele é muito amigo do Thomas Papa músico que tocou comigo e com o Edgard. Ele teve aqui naquele evento do Legião Urbana com Wagner Moura, e já chegaram informações pra gente que poderíamos ter ele como produtor, seria uma coisa incrível, todos nós somos fãs. Talvez hoje em dia seja algo que o fã do Ira! não entende, mas antes da gente gravar disco o Gang of Four era a nossa grande influência ao lado do Clash né? Mas uma coisa que a gente não quer é colocar o carro na frente dos bois, o próximo disco do Ira! depois dessa parada, dessa mudança de formação, tem que ser um disco muito bom, assim como vocês estão vendo no show hoje, “Nossa o Ira! voltou e voltou o melhor”, tem que no disco ser assim também. Então nossa primeira preocupação é que essas músicas surjam e aí quem sabe o Andy Gill, dependendo da característica dessas músicas, seria um nome que pra gente seria muito legal mesmo.

Arrependido da troca do Jadson pelo Alexandre Pato no São Paulo?

Nasi- (risos) ainda não! Até porque cara o Jadson não tava jogando porra nenhuma (risos)


WilliaN Correa

Willian Correa é formado em História e Jornalista da Rádio Mix FM Litoral em Bombinhas - SC. Além disso ele escreve sobre música desde 2008 e sempre acha um tempo pra falar de futebol..
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