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WilliaN Correa

Willian Correa é formado em História e Jornalista da Rádio Mix FM Litoral em Bombinhas - SC. Além disso ele escreve sobre música desde 2008 e sempre acha um tempo pra falar de futebol.

Antes de The Cramps existia o nada!

Entra ano, sai ano, e The Cramps continua como vinho (com o perdão do clichê) quanto mais velho melhor. Nesse texto você vai descobrir porque antes dessa banda californiana existia o nada, vai descobrir também o que faz do Cramps ser uma banda tão única e especial.Mas especialmente, vai saber como uma banda conseguia fazer um rock tão divertido e irresponsável, teatral e acima de tudo, com muita qualidade, bem vindo ao mundo freak de The Cramps.


tumblr_l2bobtOaT01qa1iiqo1_1280.jpg É muito comum dentro do universo do rock como um todo olharmos para algumas pessoas e pensar: "Nossa esse cara deve ser muito louco". Seja uma banda ou mesmo em shows, entretanto, outra coisa se repete quando se descobre que no dia-dia essas mesmas pessoas são tão normais e burocráticas quanto um atendente de cartório. Isso definitivamente não aconteceu com a banda californiana The Cramps. A fórmula parece simples aos ouvidos menos atentos, repito, aos menos atentos. Adicione filmes-b de terror, um vocalista que anda salto alto no palco e tem um visual beirando a androgenia e que já convidado pelo aclamado diretor Copolla para fazer apenas gritos na sua regravação do clássico Drácula. Some isso com uma guitarrista que veste roupas curtíssimas sem perder o seu olhar "femme fatale", pronto! está formada a base sólida do The Cramps, Lux Interior & Poison Ivy (casados) e reza a lenda que se conheceram quando Ivy pedia carona na Califórnia para ir ao um curso de arte e shamanismo . Essa é só a ponta do iceberg de fatos interessantes que fazem do The Cramps não somente uma banda de Psychobilly (rockabilly psicodélico) mas sim uma banda única em vários pontos, inclusive qualidade.

Além das apresentações teatrais, do fetichismo e do amor por filmes-b de terror, a música do The Cramps é fascinante pela sua simplicidade e qualidade. Donos de uma discografia que conta com 12 álbuns que vão de 1979 a 2003 a banda sempre atraiu pessoas interessantes para o seu "clubinho freak" entre eles um certo jovem de Londres na época ainda conhecido por Stephen Morrissey e por sua paixão pela banda de Nova York "New York Dolls" (nem precisa dizer em quem ele se transformou depois). Se você nunca ouviu The Cramps não vou sugerir nenhum disco ou escrever aqui um manual sobre como e por onde começar a ouvir, TODA a discografia da banda. Adianto apenas os temperos de distorção, microfonia, letras divertidíssimas e de horror, além de toda a referência da banda e idolatria a artistas da década de 1940 e 1950.

Talvez você ache as músicas ou os discos iguais, quanto a isso o próprio vocalista Lux Interior explica: “Toda vez que lançamos um álbum, algumas pessoas dizem: ‘Ah, mas é igual aos outros, por que eles não conseguem crescer a evoluir? ’ Mas nunca usamos o Cramps para chegar a um ponto evolucionário futuro. Pode não ser do gosto de todos. É para quem pode se identificar com ser um bandido, um fodido, um freak." Hoje em dia é muito comum vermos banda de rockabilly ou mesmo fãs de Johnny Cash que se julgam herdeiros de alguma coisa, entretanto, repito, todos são apenas ouvintes e jamais conseguiriam fazer 1% do que Lux e Ivy faziam ou mesmo chegar perto da vida que eles levavam, e eu, que escrevo essas linhas faço mea culpa no grupo dos normais.

Hoje com a internet está muito fácil mergulhar no universo musical do The Cramps assim como do rock alternativo ou de garagem como um todo. Se você nunca ouviu não perca tempo e procure já. Se já é conhecedor, sabe muito bem do que eu estou falando. Outro ponto que não pode passar batido por aqui são os shows do The Cramps. Como loucura pouca é bobagem em 1978 o mundo estava dominado pelo “disco music"e pelo bicho grilismo daquela geração Woodstock. Querendo resgatar as origens (veja estamos em 1978 e a banda já queria resgatar as origens) o grupo que estava de passagem pela Califórnia vai até o hospital psiquiátrico estadual de Napa e decide fazer um show para os pacientes. foi um show curto apenas 20 minutos, mas ao final dessa matéria você poderá conferir o registro que felizmente sempre tem um "louco" que filma.

No título dessa matéria, eu escrevi que "Antes de The Cramps existia o nada" e de fato, para uma banda que parou no tempo, e decidiu viver como se estivesse na década 50 não por modismo, mas sim por estilo de vida, e além disso, leva uma vida fora do comum não só no palco mas fora dele é possível concluir que sim! de fato existia o nada. Lux Interior certa vez disse: “O que me revolta é ver como as pessoas podem estar tão satisfeitas e anestesiadas. Não quero voltar pros anos 50 ou nada do tipo, mas lembro um tempo em que carros pareciam foguetes e as pessoas queriam se divertir loucamente, se vestir de maneira sexy, dançar sexy e tentar coisas novas e loucas. Parece-me que hoje há uma abundância de tédio e timidez, e é isso que me revolta: pessoas tediosas.” Não parece o retrato atual do rock ou dos rockeiros especialmente no Brasil? Falta isso na nossa vida, loucura! e regada a muito The Cramps for favor.

THE CRAMPS-live at Napa State Mental Hospital:

The Cramps - Bikini Girls With Machine Guns:


WilliaN Correa

Willian Correa é formado em História e Jornalista da Rádio Mix FM Litoral em Bombinhas - SC. Além disso ele escreve sobre música desde 2008 e sempre acha um tempo pra falar de futebol..
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