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WilliaN Correa

Willian Correa é formado em História e Jornalista da Rádio Mix FM Litoral em Bombinhas - SC. Além disso ele escreve sobre música desde 2008 e sempre acha um tempo pra falar de futebol.

Erasmo Carlos e o seu Carlos-Erasmo

Em 1971 o mercado fonográfico brasileiro estava em um grande processo de crescimento dando inicio a década de ouro da música brasileira. Todos já ouviram falar do "Tremendão" Erasmo Carlos, mas nem todos conhecem uma verdadeira pérola escondida ali no inicio da década de 1970, trata-se do disco "Carlos-Erasmo" que justifica a razão que faz com que seu mentor seja um dos maiores nomes da música brasileira.


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Em 1971 o mercado fonográfico brasileiro estava em pleno rebuliço com grandes nomes surgindo ou se afirmando de vez como: Ronnie Von (que acabará de deixar sua fase psicodélica), Elis Regina, Roberto Carlos, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Mutantes, Chico Buarque, Raul Seixas, Tim Maia, entre tantos outros. É possível apontar dentro esses artistas verdadeiras pérolas discográficas como: “Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10 – Raul Seixas”, “Ela – Elis Regina”, “Construção – Chico Buarque”, “Jardim Elétrico – Os Mutantes”. Entretanto nenhuma dessas obras me desperta tanta atenção em suas letras e arranjos como o disco de Erasmo Carlos lançado nesse ano, o confessional e criativo “Carlos-Erasmo”.

Erasmo Esteves nasceu no Rio de Janeiro em 1941, fã confesso de Elvis Presley e rock dos anos 50, ainda adolescente imitava seu ídolo cantando os primeiros clássicos de Elvis tal qual um certo Raul. Antes de conhecer o eterno parceiro Roberto Carlos, Erasmo fez amizade com Tim Maia que foi quem o ensinou a tocar violão, logo formaram a primeira banda chamada de The Sputniks, faltava um integrante, um certo Roberto que posteriormente viria a ser o maior parceiro musical de Erasmo. Entretanto após uma briga épica entre Tim Maia e Roberto a banda se desfez. (Aqui vale uma nota, o jornalista Paulo Cesar Araujo relata minuciosamente esses acontecimentos na biografia “Roberto Carlos” aquelas mesma, proibida pelo rei mas que você pode encontrar pela internet.)

Após o fim dos Sputniks, e já compondo com Roberto, Erasmo começa ver sua carreira solo decolar gradativamente e para homenagear o grande amigo Roberto Carlos e o produtor Carlos Imperial(Um maluco de gênio de primeira), decide usar o nome artístico que o consagraria, nasce assim, Erasmo Carlos. Como já disse anteriormente, Erasmo era um roqueiro nato, mas logo conheceu Wilson Simonal, Jorge Benjor e João Gilberto. Toda essa influência de música brasileira aliada ao seu tino de compositor, parcerias e toda influência de tudo que acontecia musicalmente no Brasil no inicio da década de 1970 e até mesmo antes culminaria tudo isso naquele que considero um dos maiores clássicos da música brasileira o disco “Carlos-Erasmo”.

O disco marca a estréia de Erasmo Carlos na gravadora Philips e graças a toda aquela influência que mencionei anteriormente o álbum recebeu um tratamento especial da produção que ficou a cargo que ninguém mais ninguém menos que Manoel Barenbein que foi parceiro na produção dos discos da fase psicodélica de Ronnie Von. Além disso, Nelson Mota e Chiquinho Moraes trataram da produção do mesmo, sem contar a eterna parceria com Roberto Carlos em boa parte das composições. O disco se inicia com a música “De noite na cama” parceria de Erasmo com Caetano Veloso, pouca gente sabe mas o Tremendão gostava muito de uma ervinha e a música é um apologia clara à maconha, tanto que a música que fecha o disco se chama “Maria Joana”, sacaram?

Aproveito para apontar alguns destaques como a dolorida e melancólica “É preciso dar um jeito meu amigo” música difícil de se ouvir sem você ficar calado apenas pensando a respeito de tudo que é cantado naquela bela composição, o final ainda tem de brinde um impecável solo de sax. “Gente Aberta” é um sambinha pra você ouvir sozinho em uma noite de inverno em casa ou na praia em uma tarde de verão, é a típica música que você se pega sorrindo ouvindo os lindos versos em que o cantor aponta para um amor que o chama. De todas as 17 faixas do disco sem sombra da dúvida a que mais me impressiona é “Dois animais na selva suja da rua”. Os arranjos são fenomenais, o inicio com um piano anunciando a guitarra que está por entrar, a bateria é um caso especial, é possível ouvir toda afinação e técnica do baterista enquanto a guitarra sola com um teclado baixinho ao fundo. A letra é estupenda “Por isso somos iguais, nós somos dois animais que se animam, que se amigam”, no final uma verdadeira orquestrada encerra uma música que está na minha lista entre as 10 melhores brasileiras de todos os tempos, não é exagero!

Pode-se dizer que “Carlos-Erasmo” é um clássico, pois envelheceu bem assim como o seu mentor e suas letras além dos arranjos mostram toda a influência e capacidade técnica e letrista de Erasmo. Ao termino desse texto você poderá ouvir o disco na integra e conferir se eu estou certo, espero que sintam a mesma felicidade que senti ao ouvir esse disco pela primeira vez, não deixe de opinar espero que gostem!


WilliaN Correa

Willian Correa é formado em História e Jornalista da Rádio Mix FM Litoral em Bombinhas - SC. Além disso ele escreve sobre música desde 2008 e sempre acha um tempo pra falar de futebol..
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