Vinicius Siqueira

Fascista desde criancinha

Carnaval em Tinta


Com a chegada do carnaval, uma tendência à procurar por quadros que representem de alguma forma este evento me levou à encontrar essas quatro obras em particular, demarcando o carnaval em diferentes época e lugares, assim como seus autores.

Primeiramente o mais antigo, de Pieter Bruegel, chamado "A Luta Entre O Carnaval E A Quaresma": O combate entre o carnaval e a quaresma, de Pieter Brueghel - .jpg

Criada em 1599, ela representa os excessos típicos do carnaval e a censura religiosa, com a entrada do período de Quaresma - Entretanto, a própria entrada da figura religiosa é também a volta da ordem vigente, onde o parodiador dos juizes da inquisição fica, novamente, fora da lei.

Tarsila do Amaral, com seus traços cheios, também "homenageou" o evento com "Carnaval Em Madureira": Carnaval em Madureira - Tarsila do Amaral 1924.jpg

O interessante desta obra de 1924 é a presença da Torre Eiffel no meio da favela carioca. Neste carnaval, Tarsila veio de Paris para passá-lo no Brasil, a conclusão óbvia seria a alusão da prestigiosa Paris no carnaval brasileiro, entretanto, creio que tal inclusão no quadro representa a própria maneira de se expressar a cultura em cada país. Reparem, enquanto a Torre Eiffel é a prova de que o carnaval não é uma festa da elite, que ela é legitimamente uma festa do povo. O contraste marcado pelo monumento em plena favela é o destaque para a favela, não para a Torre.

Joan Miró, em 1924-25, pintou "O Carnaval De Arlequim": O Carnaval de Arlequim, Joan Miró - 1925.gif

Onde a temática onírica e quase infantil expressa a própria desordem da vida na época de carnaval - a quebra das normas e da moral, além de uma nova estética não-normativa de curta duração (somente até o fim do carnaval, quando a "quaresma", na alegoria de Bruegel, censura a sociedade).

Por fim, Di Cavalcanti, na década 1970, nos presenteou "Carnaval": Carnaval.jpg

Toda as cores, a felicidade e a euforia do carnaval são imersos em um ambiente sombrio - a felicidade é malandra e nada inocente.


Vinicius Siqueira

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