
Fragile é o disco de 1971 da banda britânica Yes. É considerado como um dos melhores discos da banda, por unir uma essência progressiva às músicas que ainda poderiam ser tocadas nas rádios. Ou seja, o disco agradou aos fãs proggers e à mídia comercial – vale a pena entender que a própria mídia estava um pouco mais aberta à essas experimentações que, na época, ainda faziam parte da música pop. O fato do disco conseguir ser encaixado dentro da categoria comercial se refere mais a sua postura Rock do que a sua postura Progressiva, ou seja, o elemento que o torna comercial é o rock, gênero indiscutivelmente comercial e pop, já aquilo que dificulta o “gostar de primeira” é o prog – o sub-gênero erudito do rock sessentista.
O disco foi o resultado de um trabalho em grupo e de trabalhos solos. O objetivo era que cada integrante realizasse sua própria peça para introduzir no álbum e que as músicas compostas em grupo o completasse, o que fez com que o disco ficasse entre o caminho da experimentação psicodélica à erudição clássica e à energia dos riffs do rock. Exatamente por isso, é possível reconhecer claramente as músicas que foram feitas isoladamente – pois são mais experimentais – e aquelas que foram feitas de maneira normal, em grupo – que são mais comuns, “comerciais”.
O álbum se inicia com Roundabout, uma música simples e ao mesmo tempo complexa, com uma linha harmônica simples e, ao mesmo tempo.... Complexa. Como isso acontece? A linha de acordes não se estende como na MPB – não há dezenas de acordes para seguir cada micro-mudança no clima da música, entretanto, para cada passagem de ciclo na harmônia há riff's de passagem intensamente técnicos e criativos.
Cans And Brahms e We Have Heaven são duas composições individuais de Rick Wakeman e Jon Anderson (tecladista e vocalista da banda). Wakeman, na verdade, arranjou uma peça de Johannes Brahms, compositor do romantismo europeu, já Anderson incluiu diversos arranjos vocais em sua música, elevando o efeito/conceito de hipnose e elevação espiritual que suas canções carregam.
O meio do disco é constituído de South Side Of The Sky e Five Per Cent For Nothing. A primeira ainda é fruto da ação coletiva de composição, ainda se percebe todo o trabalho em realizar uma música onde todos os instrumentos tivessem sua importância devida, sendo as linhas de contrabaixo executadas brilhantemente por Chris Squire. A segunda é uma peça sincopada de Bill Brufford, baterista na época, que mostra seu lado de compositor nesta rara ocasião.
Long Distance Runaround re-escreve a técnica sutil da banda, com a combinação perfeita entre guitarra e teclado, sendo uma das marcas do Yes. Esta música pode ser descrita como a representação curta do Rock Progressivo, sua diferenciação com o Hard Rock ou com o Metal, sua sutileza e raiz no Psicodélico sessentista.
A seguintes são mais duas peças individuais: The Fish e Mood For A Day, de Chris Squire e Stewe Howe, baixista e guitarrista, respectivamente. Enquanto Squire exibe sua técnica e formula uma das melhores séries de contrabaixo do Prog, Howe busca suas influências da música flamenca para introduzir esta linda peça de violão.
O fim do álbum se dá com Heart Of The Sunrise, rápida e firme, agressiva e leve, técnica e arrojada – marcando uma entrada totalmente progressiva na compreensão da função da música: não como trila sonora da letra, mas como a própria comunicação principal, tanto quanto a música cantada.
Este álbum ainda é o início da jornada de Rick Wakeman no Yes, tecladista amado por sua virtuosidade e inteligência, que já pode ser observada nas músicas do disco.
Comentários
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AUF
..........OBVIOUS YES !!!!
kamilla
Yes faz música. O resto é piada.
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