hora crítica

Ensaio sobre o nada, sobre tudo, com senso.

Rafael Pinheiro

Observador, crítico, comedor de bombas calóricas e recém descoberto como preciosidade literária. Totalmente pretensioso

Os vilões que adoramos.

Personagens alegres, vida boa, casais de comercial de margarina desfilando em todos os capítulos da novela... Não mesmo! A verdade é que os vilões dão graça à história, são abusados, sarcásticos e até nos fazem rir. Essas são apenas algumas das razões pelas quais os adoramos.


Pense rápido: de quantos mocinhos(as) de novela você lembra? Precisou de quantos dedos da mão pra contar? Agora me diga: de quantos vilões de novela você lembra? De certo precisou de um pouco mais de dedos, não foi? Porque alguns vilões marcam o nosso imaginário a ponto da maioria de nós gostarmos deles? É impressionante como eles podem mobilizar as pessoas, às vezes. Páginas criadas mídias sociais, inúmeros memes que invadem nossos telefones... Incrível !

Os vilões deveriam ser pessoas asquerosas, vingativas, maldosas, mas no entanto, tem vezes que eles são tão convincentes, carismáticos e bem construídos, que até roubam a cena nas tramas. E acho que pelo menos quatro hipóteses poderiam ser levantadas para tentar entender isso.

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Apesar de todas as novelas rumarem para o "e viveram felizes para sempre", até porque o bem sempre vencerá o mal, elas precisam ser movimentadas. Que graça teria se o casal principal vivesse no mela cueca e não tivesse ninguém de personalidade forte para pôr o amor deles à prova? Ou se não tivesse ninguém para azucrinar a vida de certos personagens e armar uns barracos de vez em quando? No mínimo um tédio, não é mesmo? Não foi à toa o enorme sucesso de "Avenida Brasil", que literalmente grudou todo mundo em frente à tv até o último capítulo. Tal comoção, se não me falha a memória, também ocorreu em "vale tudo", com a personagem Odete Roitman.

Há quem diga que adoramos os vilões porque gostaríamos de ser exatamente como eles, mas eu poderia dizer que talvez não por isso, mas porque gostaríamos de ter a coragem para agir como eles em determinadas situações. Sabe aquela surra que você adoraria dar em quem te sacaneou? Aquele fora bem dado no danado do seu chefe? Aquela alfinetada na amiga invejosa? Desmascarar quem te faz mal na frente de todo mundo? Não faço apologia ao crime ou qualquer coisa parecida, mas todos nós temos guardado aquele sentimento de vingança dentro da gente. E talvez por medo de colocá-lo para fora, preferimos ver alguém agindo exatamente como a gente gostaria de agir. É como se eles estivessem fazendo justiça por nós! Talvez seja por isso que eles sejam tão atrativos: são gente como a gente.

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Os autores já entenderam que vilão cômico contribui bastante com o êxito de uma novela. Tá certo que ao fazer comédia, corre-se o risco de cair no estilo pastelão, mas se a trama for bem costurada e o(a) ator(iz) ou dublador(a) for bom(a), ele terá grandes chances de fazer sucesso. Tudo que envolve o humor tende a prender a nossa atenção e simpatia. Um exemplo clássico é Nazaré Tedesco, vivido por Renata Sorrah, em "Senhora do destino". Quem não morria de rir com as piadas de mal gosto dela e com as encarnações com outros personagens?

Alguns podem até simpatizar com os vilões por pena. Isso, mesmo: pena. Quando o personagem teve algum trauma ou uma vida difícil, por exemplo, as pessoas até procuram justificar suas maldades, dizendo que se ele não tivesse passado por tudo aquilo, ele não teria sido mau. Algo do tipo "o homem é produto do meio em que vive".

Seja qual for a sua história, alguns são lembrados por anos a fio. Separei alguns vilões que, no meu ponto de vista, são os mais icônicos da teledramaturgia. Será que você concorda comigo?

1 - Nazaré Tedesco, em "Senhora do destino"

2 - Carminha, em "Avenida Brasil"

3 - Odete Roitman, em "Vale Tudo"

4 - Flora, em "A Favotita"

5 - Bia Falcão, em "Belíssima"

6 - Perpétua, em "Tieta"

7 - Raquel, em "Mulheres de Areia"

8 - Félix, em "Amor à Vida"

9 - Paola Bracho, em "A Usurpadora"

10 - Soraya Montenegro, em "Maria do Bairro"


Rafael Pinheiro

Observador, crítico, comedor de bombas calóricas e recém descoberto como preciosidade literária. Totalmente pretensioso.
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