hora crítica

Ensaio sobre o nada, sobre tudo, com senso.

Rafael Pinheiro

Observador, crítico, comedor de bombas calóricas e recém descoberto como preciosidade literária. Totalmente pretensioso

Realidade ou Fantasia? A arte do Photoshop e o nosso imaginário.

Retoques, transformação ou alteração da realidade? É ético ou não?


Em 1990, quando estreou, o Photoshop tinha poucas funcionalidades, mas já mostrava potencial para ser popular. Hoje, com vinte e cinco anos e ao contrário de nós, meros mortais que envelhecem, ele fica cada vez mais poderoso e vigoroso a cada versão lançada.

Amado e odiado, usado para o bem e para o mal, há quem acredite que ele é apenas um facilitador do trabalho de fotógrafos e publicitários, que conseguem fazer, através dele, bons trabalhos criativos. Amado principalmente pela indústria da moda e do entretenimento e pelos fotógrafos que conseguem transformar belíssimos ensaios, ele é também odiado por aqueles que acreditam que ele acentua e incentiva um padrão de beleza bem difícil de ser alcançado pela maior parte da população.

antes-e-depois-do-photoshop.jpeg É verdade que ele faz milagres: lhe deixa com a pele de um pêssego sumarento, os dentes lindos e branquinhos, some com as suas rugas, barriga, estria, e com um monte de coisas que você não gosta no seu corpo, mas ele também é capaz de ajustar cores, foco, textura, além de ter a possibilidade de corrigir eventuais defeitos, inclusive da própria câmera e de produzir e/ou permitir a construção de lindos efeitos nas fotos e que por muitas vezes são impossíveis de se fazer apenas com a câmera em punho.

O que se deve separar é uma criação artística, onde a manipulação é uma premissa, da realidade, que pode ser sim manipulada e não só para deixar um rostinho bonito, mas para maquiar ou mesmo inventar uma história. É claro que isso envolve questões éticas muito densas e que no mundo de hoje, onde o dinheiro é o senhor da razão, quem tem bom senso, é rei.

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O imaginário da maior parte das pessoas já está tão condicionado que, por mais que elas fiquem em dúvida se uma foto foi "photoshopada" (sim, esse verbo existe no mundo da fotografia!), ou seja, manipulada ou não, elas ainda sim acatam aquele padrão de beleza ou que aquela cena é real.

O fato é que o programa em si não pode ser considerado um vilão, mas um instrumento que pode alterar a nossa percepção, de forma positiva ou negativa, de acordo com nossos padrões e valores. Quem acredita que uma imagem vale mais do que as palavras, deve usar de seu bom senso para não ser enganado às vezes...


Rafael Pinheiro

Observador, crítico, comedor de bombas calóricas e recém descoberto como preciosidade literária. Totalmente pretensioso.
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