horizonte distante

cinema, música e tudo aquilo que se pode avistar

Guilherme Moreira Jr.

Um inquieto sobre o viver e o estar. No cinema, na música ou em qualquer outra janela. Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro.

A Democracia estagnada

Entrando sem pedir licença em nossas casas: faltam menos de 3 meses para decidirmos os rumos do nosso país, e mais uma vez, não fazemos qualquer ideia do futuro que nos foi reservado ou mesmo em quem podemos confiar para tamanha missão.


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Passado o frenesi da Copa do Mundo, o brasileiro volta suas atenções para um período de extrema importância: as eleições. Mas o exercício democrático tão ávido em outros momentos da história, agora ocupa o lugar em rostos descrentes e preocupados. Talvez ainda seja um reflexo da goleada sofrida pela seleção brasileira na Copa, que mesmo representando um viés inexplicável no futebol, querendo ou não, também reflete no cotidiano do país. Somos multiculturais em demasia. Mesmo em um inconsciente coletivo, acabamos ligando nossas identidades culturais com a política vigente. Isso é normal. Anormal é o peso dado por isso. Pela imprensa, pelos programas da TV ou mais recentemente, nos intensos murais expostos pelas redes sociais.

Obviamente o debate é válido. Significa que de certa forma, o povo está se mexendo. Se pensando certo ou errado isso cabe uma outra análise. Ainda assim, mesmo com toda essa agitação preocupa o fato de não existir qualquer credibilidade para a grande maioria dos candidatos atuais. No Rio de Janeiro, por exemplo, a escolha para o governante que irá “gerenciar” o estado nos próximos anos – com as Olimpíadas batendo insistentemente na porta, gera repulsa. No âmbito nacional, a disputa presidencial também provoca uma incerteza como não era vista há anos. Claro que com pesquisa, encontram-se candidatos acessíveis e honestos, mas a disputa desigual no tempo de propaganda e até mesmo nas verbas disponíveis para uma maior transição entre os eleitores, dificulta e muito a jornada desse salvador desconhecido. Talvez você considere inadmissível em pleno ano de 2014, com tantas ferramentas, que o povo insista em triunfar sobre os mesmos erros do passado. Talvez seja, mas é preciso considerar que nem todos somos alfabetizados culturalmente.

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O Brasil no geral, permanece trincado e pagando pelos erros de séculos atrás. Um território vasto em rostos e sorrisos, mas povoado na mesma proporção com a falta de civilidade, educação e de extrema violência. Diariamente atrocidades estampam os jornais. A população está revoltada consigo mesmo. Chegamos a um ponto no qual debatemos se linchar um jovem é certo ou errado ou se uma jornalista pode expor suas opiniões em rede nacional, mas no final do dia, continuamos debatendo o último capítulo da novela. É justamente essa estafa mental que contribui ainda mais para essa nuvem nebulosa cada vez mais presente, prevista para pairar sobre nossas cabeças no dia 5 de outubro. É de certo que estabelecer os melhores caminhos para o futuro do país seja uma tarefa extremamente complexa, ingrata e de pensamentos divididos. Todavia, o poderio dos partidos atuais e suas mais diversas ramificações, prevalecem no seu jogo de poder que nem mesmo eles sabem como lidar. Enquanto isso, o povo brasileiro assiste, ou melhor, briga entre si para ver quem tem razão e quem pode combater os tais políticos indignos de confiança. Preocupante.


Guilherme Moreira Jr.

Um inquieto sobre o viver e o estar. No cinema, na música ou em qualquer outra janela. Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro..
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