horizonte distante

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Guilherme Moreira Jr.

Um inquieto sobre o viver e o estar. No cinema, na música ou em qualquer outra janela. Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro.

Seven - Os Sete Crimes Capitais

Seven é um dos suspenses psicológicos mais questionadores do cinema. Não apenas por apresentar um viés filosófico e religioso, mas principalmente por colocar em pauta a condição humana sobre o homem deter do poder sobre tirar ou não a vida do outro.


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O texto abaixo apresenta spoilers.

Protagonizado por Brad Pitt e Morgan Freeman, o longa trouxe uma temática cotidiana sobre violência, controle e julgamento. Na trama, dois detetives precisam desvendar uma série de assassinatos relacionados aos sete pecados capitais. Estes: gula, avareza, luxúria, ira, inveja, preguiça e orgulho ou vaidade, presentes no cerne da humanidade desde os seus primórdios abordando indícios cada vez mais enraizados na cultura atual.

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É de consenso que a violência nos dias atuais cresce de forma absurda, mas até mesmo pela época da qual o filme foi produzido, nota-se um claro ciclo dessa mesma violência, e indo mais além, as consequências dos atos do homem perante situações que fogem completamente ao seu controle e que sempre estiveram acesas na história. David Mills (Pitt) e William Somerset (Freeman) precisam lidar com os absurdos diários e ainda tentar sobreviver aos mesmos, de modo que suas integridades psicológicas e humanas não sejam corrompidas pelo mal, e neste caso, por John Doe.

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Para quem não percebeu, o nome de John Doe é apresentado ao espectador somente na segunda parte do filme, e a revelação sobre quem o mesmo representa mais ainda adentro da película. Nos créditos iniciais, apenas os nomes de Pitt e Freeman constam como protagonistas, deixando a surpresa de Kevin Spacey interpretar Doe apenas nos créditos finais da produção. O segredo guardado pelo diretor David Fincher nubla a angústia por detrás de uma das maiores surpresas do cinema. Ainda assim, o melhor, quer dizer, o pior estava por vir.

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Mesmo com diversos apontamentos discutíveis sobre a trama escritda por Andrew Kevin Walker, Seven resume-se nos seus 30 minutos finais. Cuidadosamente desmembrados e colocando ao detetive Mills uma escolha difícil. Ao saber que o penúltimo crime cometido por Doe havia sido o assassinato da sua esposa (Gwyneth Paltrow), Mills não consegue pensar. Doe explica ter cometido o penúltimo crime, a inveja pela vida do detetive, e cabe ao mesmo retribuir com a ira. Somerset, boquiaberto com os acontecimentos, procura acalmar o companheiro. Impedir que o mesmo “jogue tudo fora” e assassine ali, no deserto a sangue frio, Doe. Mills reflete em instantes que parecem não ter fim, mas puxa o gatilho. Diversas vezes.

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A grande pergunta de Seven é: você faria o mesmo caso descobrisse que algum ente querido perdeu a vida de forma tão brutal e o responsável por isso estivesse do seu lado, de joelhos, pronto para ser punido? Algo assustador nos dias atuais é o quão rápido algumas pessoas respondem sem mesmo pestanejar: - Sim! É uma escolha impossível para uma situação impensável. O problema não é necessariamente querer justiça com as próprias mãos, mas sim, viver sob a nuvem dessa possibilidade real e em momento algum, duvidar sobre qual caminho seguir. Notoriamente estamos expostos ao violento e pouco refletirmos em como chegamos até aqui.

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Portanto, Seven não se trata apenas de um filme ou sobre como uma produção apresenta artifícios visuais para influenciar alguém. Seven é um thriller discutível, cru, perturbador, emocionante e mais ainda, humano.


Guilherme Moreira Jr.

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