horizonte distante

cinema, música e tudo aquilo que se pode avistar

Guilherme Moreira Jr.

Um inquieto sobre o viver e o estar. No cinema, na música ou em qualquer outra janela. Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro.

Um Estranho no Ninho: existe humano no desumano

Mas somente quando adentramos no cerne da humanidade fica possível avistar os conflitos, e eles são muitos.



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O premiado filme Um Estranho no Ninho é uma adaptação do romance escrito por Kenneth Elton Kesey, baseado nas suas experiências na época da qual trabalhou num hospital para veteranos. No filme, conhecemos o universo de Randle Patrick McMurphy, interpretado por Jack Nicholson, que para fugir dos trabalhos rotineiros da prisão, finge ser louco para ser colocado em um hospital psiquiátrico. Bom, muitos conhecem a premissa ou já assistiram ao filme, mas será que todos percebemos o seu real valor? As palavras abaixo não devem ser vistas como verdades absolutas. De modo algum. Mas é de certo ao decorrer do texto a transparência dos sentimentos aludidos da obra em questão. Um Estranho no Ninho trata do significado de ser humano quando nos deparamos com o desumano.

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O indivíduo em sociedade passou por milhares de transformações ao longo dos séculos, e tantos outros exemplos destas mesmas transformações foram citadas nas mais variadas expressões de arte como um todo, mas somente quando adentramos no cerne da humanidade fica possível avistar os conflitos, e eles são muitos.

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McMurphy queria ser livre. Não apenas pelas amarras burocráticas que todo cidadão termina por vivenciar em algum ponto da sua vida, mas sim daquela liberdade intangível, sentimental e plena. Não se engane. McMurphy era um homem de muitos pecados, assim como todos dispomos de alguma chaga social ou seria o dever para com o círculo social? Todavia, apesar dos erros, algo mais surgiu no espírito do protagonista no tempo que passou ao lado dos mentalmente incapazes. Havia espanto por muitos serem voluntários, reação comum até os dias presentes quando alguém coloca-se à disposição para se tratar ou simplesmente por reconhecer não fazer parte da sociedade vigente. O dilema do filme flerta com esse imaginativo real. Através do conflito entre ser livre e ser preso ao lado de pessoas de diferentes pensamentos e sentimentos. McMurphy queria ser mais. Queria fazer mais.

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Imaginemos o seguinte cenário: fechando os olhos, você pode projetar o seu humano no outro? Nas escolhas a serem feitas, no entendimento naquilo que diz respeito para com o próximo? Caminhamos com os pés firmes no chão em busca do compromisso, do dever e da sede insaciável que nos é cobrada dia após dia. Ainda assim, a vida apresenta-se frágil e o todo tempo do mundo resulta nas mesmas escolhas que o próximo dispõe na frente dos seus olhos.

Um Estranho no Ninho, com os seus inúmeros prêmios e sua longevitude que completará 40 anos em 2015, ainda é alvo de discussão, apreciação e estranhamente, reflexão. É um filme a ser visto do canto mais privilegiado da própria humanidade, porque uma forma de arte como essa nos afasta do terror social cíclico de ser desumano.


Guilherme Moreira Jr.

Um inquieto sobre o viver e o estar. No cinema, na música ou em qualquer outra janela. Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro..
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