horizonte distante

cinema, música e tudo aquilo que se pode avistar

Guilherme Moreira Jr.

Um inquieto sobre o viver e o estar. No cinema, na música ou em qualquer outra janela. Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro.

Magia ao Luar: o belo e o figurante êxtase da crença no amor

Para crer na existência ou para afastar qualquer sombra dela. Pouco importa. Em Magia ao Luar, Woody Allen entrega mais um pedaço de si mesmo para apreciação.


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Existe uma espécie de pureza no cinema de Woody Allen que o difere dos demais. É algo límpido, mas ao mesmo tempo angustiante no sentido de revirar até mesmo o mais racional dos seres. Ainda assim, a sua extensa filmografia, filme após filme torna-se alvo dos mais variados comentários. Enquanto uns o idolatram, outros preferem usar da cautela e quando lhes convém, tecem elogios ou críticas pesadas. Mas Woody Allen é um cineasta que sempre fez filmes para si mesmo. Sua paixão desconcertante pela sétima arte é brindar à sua própria imaginação, e sejam felizes ou não todos que quiserem acompanhá-lo.

Através do ceticismo do público, dos críticos e de todos os outros, seja por ironia, coincidência ou simplesmente mágica, talvez tenha nascido Magia ao Luar. Protagonizado por Colin Firth e Emma Stone, a produção aborda estória do mundialmente reconhecido mágico, Stanley (Firth), que é convidado por um amigo para desmascarar a médium Sophie (vivida por Stone). Como de praxe, Allen investe nas ambientações deslumbrantes e no requinte das cidades mais charmosas do mundo para dar voz aos seus sentimentos. Desta vez, o local escolhido é o Sul da França.

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A grande indagação de Magia ao Luar consiste no constante diálogo entre Stanley e Sophie sobre existir ou não mágica na vida. Sobre existir algo além dos olhos, daquilo que podemos enxergar e tatear. Logicamente, por questões narrativas acontece todo um desenrolar por vezes encantador e em dados momentos, cansativos. Mas não para o imaginar, e sim para os olhos que o assistem. Você pode estar assistindo imaginando-se na pele de Stanley ou de Sophie.

Como velho que sempre foi, mas com o coração de um jovem apaixonado pelos relacionamentos e pelos humanos que somos, Woody Allen retorna para a catarse emocional e questionada por todos, racionais ou não: Existe amor? Existe magia? Transcendendo valores e impulsionando o cotidiano, crenças e aquela coisa dentro de nós que simplesmente não possui algum nome estabelecido, Allen segue tentando abrir os olhos para si, mas na eterna esperança de outros abrirem os olhos com ele.

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Em um momento sublime do roteiro, certa personagem faz a seguinte observação (o famoso soco no estômago): "O mundo pode ter um propósito ou não, mas ele não é totalmente despido de um tipo de mágica".

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- Ainda não ficou empolgado? Tantos devaneios sentimentais expostos e você talvez ainda sinta-se descrente, racional, fincado ao palpável, apoiado somente naquilo que os seus olhos podem ver e as suas mãos tocar. É compreensível. Humano. Mas faça uma simples pergunta a si mesmo: Se não existe mágica, amor ou coisa parecida, como você explica o sorriso? Sim. O sorriso. Dos pequenos prazeres, dos momentos únicos. Escolha um. Difícil não é crer ou não na magia existente ou possível da vida, mas sim ignorar completamente a ausência dela.


Guilherme Moreira Jr.

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