horizonte distante

cinema, música e tudo aquilo que se pode avistar

Guilherme Moreira Jr.

Um inquieto sobre o viver e o estar. No cinema, na música ou em qualquer outra janela. Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro.

Bem-vindo idiota

Uma opinião pode ajudar o mundo a somar mais um idiota em sua conta. Porque não importa o assunto, existe escolha. Existe bom senso.


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O consumismo de informações está atingindo limites nunca vistos antes. Desde o acréscimo da tecnologia da informação, somos julgadores e réus por qualquer opinião. Não podemos falar sobre um atentado, sobre política e muito menos religião. Acabamos por ser alvos dos mais variados comentários preconceituosos, e por falar em preconceitos, o crescente debate sobre homofobia e racismo ganham proporções épicas quando tratados por mídias e pessoas influentes. Dependendo do discurso, o assunto que poderia ser tratado por um viés mais humano vai de encontro com um intenso texto moralista e unilateral, visando apenas os próprios interesses de quem noticia.

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O massacre - porque não há outro termo para isso, contra a revista Charlie Hedbo é mais uma prova da intolerância absurda do ser humano. Todavia, quando tratamos da liberdade de expressão esquecemos que isso não significa termos o direito óbvio de tratar certos assuntos como queremos, seja como crítica ou humor negro. Explicar para as famílias daqueles que perderam suas vidas na sede da revista é difícil, mas mais ainda é reconhecer que os temas usados por ela ou por qualquer outro meio de comunicação, ferem sim sentimentos e correntes dos outros. Precisamos de controle. Precisamos sim de uma censura. Não a censura proibitiva, mas aquela munida do bom senso que certos tópicos para serem refletidos precisam carregar um sentimento de compaixão ao próximo. Assim como fere muitos a quantidade de programas televisivos influentes e que não agregam mais nada além da imbecilidade. Estes também precisam de repaginadas.

Mundo afora existem tantos outros que ganham à custa do outro com a desculpa de estarem fazendo um trabalho para as pessoas refletirem. Adentramos tão profundamente no mundo dos idiotas, e poucos enxergaram o tão semelhantes que somos em relação aos alvos das nossas críticas. Criticar é um exercício de ponderação. Quando inclinado para impor verdades deixa de ser um direito.

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Injustiças no Brasil ou em qualquer outra parte do globo terrestre. Podemos e ainda temos escolhas a serem feitas. Se você não gosta do programa x, não assista. Se você não é da religião y, não se meta. O costume vil de “meter o bedelho aonde não é chamado” está cada vez mais irritante e desproporcional se levarmos em conta os inúmeros caminhos que poderíamos percorrer visando melhorias para as nossas vidas e do universo ao redor.

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Quando iremos perceber o perigoso e sofrível caminho que percorremos? Quando iremos compreender que para ser diferente e único, não precisamos provar nada, e sim apenas sermos. Estarmos. De pé, erguendo a cabeça e com os olhos fixos no horizonte, gostaria de dizer que a proximidade do futuro brilhante está logo ali na esquina, mas estaria mentindo. O idiotismo absorveu a cultura pop, e algumas vezes, incrédulo, jogar uma água no rosto e limpar os olhos não é o suficiente para crer na luz no fim do túnel.


Guilherme Moreira Jr.

Um inquieto sobre o viver e o estar. No cinema, na música ou em qualquer outra janela. Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro..
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