horizonte distante

cinema, música e tudo aquilo que se pode avistar

Guilherme Moreira Jr.

Um inquieto sobre o viver e o estar. No cinema, na música ou em qualquer outra janela. Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro.

Whiplash: para apreciar sem moderação

Whiplash – Em Busca da Perfeição é uma ode ao jazz. De uma energia contagiante, o filme escrito e dirigido por Damien Chazelle desperta o incondicional amor à música.


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Em exibição nos cinemas e correndo por fora no Oscar 2015, Whiplash – Em Busca da Perfeição é o novo filme do jovem cineasta Damien Chazelle, de apenas 29 anos. Chazelle já havia demonstrado uma sensibilidade fora do normal quando escreveu Toque de Mestre (Grand Piano – 2013), estrelado por Elijah Wood. Agora, o diretor e roteirista apresenta uma intensa viagem musical com uma trama simplória, mas soberbamente vivida na pele dos atores Miles Teller e J.K. Simmonsvencedor do Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante pelo filme.

A trama do longa não denota nada de absurdo, e talvez para os membros votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas pouco agregue. Todavia, amantes da música e da riquíssima herança do jazz poderão ficar surpresos com o poderio musical e atuante da produção. Miles Teller interpreta Andrew Neyman, jovem que sonha ser o melhor baterista do seu tempo. Repleto de sonhos e com ídolos do passado na sua sombra, Andrew quer fazer o seu melhor, para mostrar para família e ao mundo, que aprendizado e dom caminham lado a lado. No seu caminho, Andrew esbarra com o professor nada convencional, Terence Flechter, vivido por Simmons.

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Ainda que repleto de diálogos interessantes e tiradas clichês típicas dos elos narrativos de superação através da persistência e da disciplina, Whiplash encanta e provoca sentimentos diversos e inebriantes. Tensão, risos, lágrimas e um profundo êxtase musical se abraçam nos 107 minutos do filme. Com viradas épicas e batidas surpreendentes, o filme de Chazelle na verdade pouco se preocupa com perfeição. Nos jogos de câmera e nos planos focados em seus protagonistas, exatamente da forma com o qual o jazz flui e fixam os olhos e os movimentos no improviso, a melodia constante surge para apreciação desmedida.

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A transgressão de valores para exceder limites. Justificáveis ou não, o importante em Whiplash é o puro e simples prazer de observar, sentir e deixar-se levar por uma narrativa poderosa e objeto de contestação. Assim como o jazz, que nos seus primórdios e na sua essência baseiam-se somente nos instrumentais, Damein Chazelle evoca o passado ao mesmo tempo em que mescla com o novo. É jazz fluindo por todos os poros.


Guilherme Moreira Jr.

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