horizonte distante

cinema, música e tudo aquilo que se pode avistar

Guilherme Moreira Jr.

Um inquieto sobre o viver e o estar. No cinema, na música ou em qualquer outra janela. Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro.

Escrevo com o ouvido de dentro

Pinto palavras para transcender sentimentos. O coração inflama ávido por momentos sinceros, destilando prazeres e nuances.


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Escrever nunca foi uma obrigação. Bordar frases com substantivos, adjetivos e argumentos acerca dos fatos cotidianos, da imensidão das artes e dos poros sentimentais vividos até então, na verdade sempre foram escapismos claros, mas honestos de fazer sorrir o meu eu imaginário e ainda assim presente ao alcance das mãos.

Há quem escreva para satisfazer inseguranças vis das inúmeras problemáticas constituídas no viver. Outros escrevem para fazer valer a sua própria voz. Alguns outros para desmistificar personalidades, entidades ou simplesmente por vontade de costurar dados informativos com propriedades e finalidades políticas e religiosas. Não disponho de absolutamente nada contra os corajosos que enveredam nos caminhos citados. Certas vezes, eu mesmo preciso alimentar o pensamento agridoce e participar das fomentas sociais. Ainda assim, o prazer quantitativo da escrita reside na simples janela de saciar uma sede romântica e ingênua de expulsar os ritmos desconcertantes do coração na tentativa serena da aproximação quase platônica entre eu e eu mesmo.

Remando contra todas as normas gramaticais e regras estabelecidas para se estruturar um texto, penso na escrita como forma de liberdade. É o diálogo puro entre o sentimento e a razão, e nessa conversa íntima, o mais importante é escrever por querer. Porque respirar palavras no papel é antes de tudo um exercício de carinho. Uma espécie de conjuntura do amor, talvez. Existe leveza, tranquilidade e paz.

Ainda hoje argumentam que o ato de escrever é um dom. Eu discordo. Escrever com o ouvido de dentro é sublinhar sensações, tateando o pensamento e sorrindo gentilmente ao coração que só pode dizer aquilo que realmente sente quando lhe é proporcionado à voz mais antiga, imperfeita e legítima de todas. Escrevo. Escreva. Muito ou pouco. Com ou sem sentido. De qualquer forma ganha-se tempo, memória, vida e cores.


Guilherme Moreira Jr.

Um inquieto sobre o viver e o estar. No cinema, na música ou em qualquer outra janela. Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro..
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