horizonte distante

cinema, música e tudo aquilo que se pode avistar

Guilherme Moreira Jr.

Um inquieto sobre o viver e o estar. No cinema, na música ou em qualquer outra janela. Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro.

A montanha mágica de Steven Spielberg

“Eu sempre me preparo para o fracasso e acabo surpreendido pelo sucesso" Steven Spielberg


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Steven Spielberg nasceu no dia 18 de dezembro de 1946 e hoje, aos 68 anos, ainda é considerado um visionário no mundo cinematográfico. Seja pelo seu apreço pelo mundo fantástico das narrativas, sob os olhares infantis, bem como por seu instinto para negócios. De qualquer forma, Spielberg sabe aquilo que faz nas formas mais subliminares e legítimas possíveis. Mesmo assim, o diretor, que possui o currículo com mais filmes entre os 100 melhores de todos os tempos, graduou-se em cinema apenas no ano de 2002. A formatura aconteceu no dia 31 de maio daquele ano, e Spielberg subiu para receber o diploma com a trilha de Indiana Jones ao fundo.

1024.duel.ls.12512.jpgCena de Duel (Encurralado)

A carreira do cineasta começou aos 13 anos de idade, quando começou a dirigir os seus primeiros curtas com uma câmera Super 8. Com 21 anos, assinou o seu primeiro contrato profissional com a gigante Universal. O seu debut nas telonas começou com os excelentes trabalhos: Encurralado (1971) e Louca Escapada (1974), sendo esse estrelado pela jovem, em ascensão, Goldie Hawn. Ambas as produções foram importantes na carreira do diretor e já demonstravam o tato e amplo conhecimento de Spielberg para aquilo que viria a ser seu preparo para o grande estouro cinematográfico que viria no ano de 1975, Tubarão. O filme, que estreou no verão daquele ano, simplesmente mudou a maneira como Hollywood fazia cinema, pois foi através desse filme que os estúdios perceberam a importância de os grandes blockbusters serem lançados naquela época das férias escolares, atraindo, assim, multidões para os cinemas.

2013-06-06-steven_spielberg_jaws.jpgO diretor fazendo graça nos bastidores de Tubarão

061-Contatos Imediatos do Terceiro Grau.jpgRichard Dreyfuss em Contatos Imediatos de Terceiro Grau

Após o sucesso massivo de Tubarão, Spielberg resolveu adentrar na ficção científica com Contatos Imediatos de Terceiro Grau (1977), filme que lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar como Melhor Diretor. O longa, também escrito pelo cineasta, é transcendente e mostra a relação do operador de cabos Roy Neary (vivido por Richard Dreyfuss) com outras pessoas que, de alguma forma, tiveram experiências com seres de outro planeta. Nos dias atuais, o tema é facilmente visto nas telonas, mas, para época, a visão de Spielberg na retratação de eventos, que até hoje despertam curiosidades das mais variadas pessoas e instituições científicas, comprovou o talento prematuro do diretor para ditar o tom em assuntos complexos com um olhar particular e tangível.

1941.jpgA comédia de guerra 1941 recebeu duras críticas

Após um início tão promissor, poucos achavam que Spielberg amargaria algum fracasso, mas justamente no seu próximo filme, a comédia 1941 (1979), o diretor amargaria o seu primeiro golpe, tanto da crítica, quanto do público. A comédia, que mostrou uma suposta invasão dos japoneses na Califórnia, após os eventos de Pearl Harbor, poderia ter apagado o brilho da carreira de Spielberg, mas com o passar dos anos, a produção acabou sendo defendida por muitos espectadores. Pouco importava. No ano 1981, Spielberg emplacou aquele que terminou por ser um dos maiores hits dos cinemas de todos os tempos, Indiana Jones e Os Caçadores da Arca Perdida (1981). O filme fora a comprovação de como é possível mesclar entretenimento e qualidade num único projeto e, por esse trabalho, toda a carreira do diretor seria marcada. Um estilo único que, embora muitos possam não apreciar, hão de reconhecer o esforço e a criatividade do profissional para estar sempre em contato com diferentes frentes artísticas, visando uma satisfação pessoal, profissional e concedendo méritos para o próprio público que o assiste.

Old-But-Gold-Indiana-Jones-e-Os-Caçadores-da-Arca-Perdida.jpgHarrison Ford encarnou um dos maiores personagens de todos os tempos

A supremacia definitiva para o reconhecimento e status de gigante do cinema veio no ano seguinte com E.T, o Extraterrestre (1982). O filme, além de ter obtido a maior arrecadação da história, até então, também rendeu uma nova indicação ao Oscar para o diretor, e não era pra menos. A produção infantil, que revelou nomes como da atriz Drew Barrymore, é um divisor de águas no cinema contemporâneo. Spielberg conseguiu conceber uma direção espantosa. O lado mágico visto pelos olhos infantis, junto de jogos de câmera subjetivos e reflexivos – se você reparar, boa parte do filme não mostra os rostos dos adultos, com exceção da mãe dos protagonistas.

drew.jpgDrew Barrymore

quarta-4.jpgSpielberg passando instruções para Liam Neeson em A Lista de Schindler

O lado camaleão do diretor seguiu nos anos seguintes. A Cor Púrpura, em 1985; Império do Sol, em 1987 e Hook – A Volta do Capitão Gancho, em 1991 figuram, dentre os trabalhos mais diversificados e, apesar das críticas divididas, é também alguns dos seus projetos mais interessantes. No ano de 1993 o diretor esmagou todos os grandes lançamentos com dois filmes completamente diferentes. Primeiro, Jurassic Park, recorde de bilheteria e que alavancou novos patamares para a forma de fazer cinema até então. Logo depois, o filme que lhe renderia o seu primeiro Oscar, A Lista de Schindler. A premiada produção é um oásis artístico e pessoal na carreira do diretor, ao mostrar o martírio dos judeus durante a Segunda Guerra Mundial. O filme foi um desejo pessoal de Spierlbg, oriundo de uma família judia. Além de ter sido o mais difícil da carreira do cineasta que afirmou cada dia de filmagem ser uma angústia e uma tristeza a lhe afligirem. O diretor abriu mão de todo o seu cachê pelo filme, por considerar estar fazendo uma homenagem e prestando um serviço para humanidade, ao retratar um lado obscuro do passado do homem.

dreamworks-animation-personajes.jpgA Dreamworks representou um sonho para o diretor

No ano de 1994, Spielberg ia fundo nos negócios, tornando-se dono de um estúdio. Fundando a Dreamworks, o diretor pôde exercer funções mais abrangentes e significativas nos cinemas. Em 1997, Spielberg lançou o excelente Amistad, que acabou sendo ofuscado pelo estrondoso sucesso de Titanic, um dos maiores sucessos da história do cinema, estreando no mesmo ano. Ainda assim, o ano de 1998 reservou novos sorrisos e com o icônico O Resgate do Soldado Ryan, Spielberg faturou o seu segundo Oscar. Por outro lado, Inteligência Artificial (2001) e Minority Report (2002) foram duas produções que pouco agradou quem conhecia o passado do diretor. Ambas trataram de um futuro baseado no crescente avanço da tecnologia e sobre a perda de sentimentos na humanidade – talvez, se tivessem sido lançados nos dias presentes à estória fosse outra, não?

morgan-freeman,-anthony-hopkins-and-steven-spielberg-in-amistad-(1997).jpgSpielberg ao lado de Anthony Hopkins e Morgan Freeman - nomes consagrados em Amistad

wpid-photo-sep-14-2012-622-pm1.jpgTom Hanks protagonizou O Resgate do Soldado Ryan, mas o filme também revelou um novo nome: Vin Diesel

Ainda no mesmo ano de 2002, o sucesso não-comercial Prenda-me Se For Capaz, conquistou, de maneira despretensiosa, o público e a crítica e colocou o ator Leornado DiCaprio, definitivamente, nos radares dos grandes estúdios e produções. O emocionante O Terminal (2004), nova parceria com o ator Tom Hanks, também apresentava uma sensibilidade do diretor para com a simplicidade e os bons diálogos. Logo em seguida, o remake de Guerra dos Mundos que, apesar de ser um teste para cinéfilos cardíacos por bons filmes, teve um excelente desempenho nas bilheterias e, mesmo com críticas controversas, seguia respeitosamente agradecendo a qualidade técnica do diretor. Em 2006, o excelente Munique chegava aos cinemas. Este, certamente foi um dos melhores trabalhos do diretor, ao retratar a caçada aos assassinos dos onze atletas da delegação israelense nas Olimpíadas de 1972.

No ano de 2008, Spielberg e Harrison Ford voltaram a trabalhar com o famoso chapéu, no quarto filme: Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal. Apesar de não ter a mesma pegada dos anteriores, o saudosismo rendeu expressivos números nas bilheterias, ao redor do mundo. Os mais recentes trabalhos diretor ainda incluiriam o brilhante As Aventuras de Tintim (2011), rodado totalmente por captura de movimentos, o drama Cavalo de Guerra (2011) e o filme que, novamente, o colocaria no hall dos mais respeitados da indústria, Lincoln (2012).

troubled-lincoln-at-desk.jpgDaniel Day-Lewis no premiado Lincoln

jurassica-park.jpgSpielberg nos bastidores de Jurassic Park

Diretor, roteirista, dono de estúdio, produtor. Steven Spielberg pode não ser uma unanimidade para as plateias de todo o mundo, mas, sem dúvida alguma, assombra os concorrentes quando a mão acerta no alvo. Sua primazia e busca incessante por contar boas estórias e fazer do cinema um lugar mágico - ao mesmo tempo que realista - é motivo de estudo, reflexão e respeito. Atuando de forma decisiva como produtor em outros sucessos, ao longo da carreira, como Poltergeist (1982), Gremlins (1984), Gremlins 2(1990), a trilogia De Volta Para o Futuro (1985, 1989 e 1990), Goonies (1985), A Máscara do Zorro (1998), Shrek (2001) e tantos outros, Spielberg nos convidou para sua própria montanha mágica, talvez distante daquela que escalava quando tinha 13 anos, mas não muito diferente dos desejos e sonhos únicos daquilo que, talvez, todos almejamos.

spielthomas.png"Eu sonho em viver" Steven Spielberg


Guilherme Moreira Jr.

Um inquieto sobre o viver e o estar. No cinema, na música ou em qualquer outra janela. Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro..
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