horizonte distante

cinema, música e tudo aquilo que se pode avistar

Guilherme Moreira Jr.

Um inquieto sobre o viver e o estar. No cinema, na música ou em qualquer outra janela. Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro.

Masturbação mental

“Tá me fazendo mal, tá me fazendo mal!” Inspirado no Pensador e distorcido pelo pensante.


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Masturbação mental é o nome da canção escrita por Gabriel, O Pensador e Itaal Shur, para o álbum Seja Você Mesmo (mas não Seja sempre o Mesmo), de 2001. Na época, o conceito pouco teve aderência e um significado representativo. Quatorze anos depois, a tal “masturbação mental” é tão presente quanto tantas outras gírias e jargões presentes em nosso vocabulário. Mas por quê?

Vivemos numa ditadura onírica, onde expor ideias nada mais é que satisfazer anseios próprios sobre a visão do outro. O falso presente permitiu-nos exacerbar todo o engajamento político, social e cultural, acerca dos mais variados temas e, com isso, desconstruir qualquer certeza e discurso pronto existente. Masturbação mental. Masturbação mental. Sem dúvida alguma, tá fazendo mal.

Por vezes, presos ao absolutismo das experiências já vividas e dos estudos absorvidos ao longo dos anos, a janela do respeito, da tolerância e da atemporalidade sentimental é vista nada menos como um artifício subjetivo e desigual, para uma soberania comportamental. Quando deixamos de refletir, buscando uma singularidade? Onde repousam os poetas, amantes e figuras atormentadas por essa inquietude da alma? Como, cada vez mais se sobressaem os agentes da discórdia e do controle despótico, sujo?

É entristecedor observar, através da janela, uma estrada tomada por nuances, com lombadas absurdas, acostamentos inexistentes, para tomar fôlego e, principalmente, ausente de uma sinalização que seja para apontar não um atalho, mas uma direção segura. Passados tantos instantes de uma extensa bagagem inspiradora na música, na literatura, no cinema e em inúmeras expressões artísticas, como conseguimos abrir os olhos sem estar com eles, de fato, abertos?

Se o coração é o motor utópico do nosso corpo, que ligamos e desligamos conforme a necessidade vil de estar saciado diante do entorno, por que não podemos encontrar meios alternativos de alimentá-lo sem desgastar o mundo consumindo poluentes? É importante colocar doses pequenas de egoísmo no peito para existir energia, mas o egoísmo líquido de hoje é fruto da masturbação mental de outrora, onde pecados ganham ares próprios e julgamentos proferidos de forma leviana. Masturbação mental! Tá fazendo mal, não?

“O mundo muda, tudo muda, todo mundo muda, mas só mudo minha cabeça se for melhor pra mim (quando eu achar que é, e se eu tiver afim)”.


Guilherme Moreira Jr.

Um inquieto sobre o viver e o estar. No cinema, na música ou em qualquer outra janela. Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro..
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