horizonte distante

cinema, música e tudo aquilo que se pode avistar

Guilherme Moreira Jr.

Um inquieto sobre o viver e o estar. No cinema, na música ou em qualquer outra janela. Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro.

Senhoras e senhores...Nina Simone

Uma anomalia que metamorfoseou o jazz, que rompeu barreiras lutando contra o injusto e contra os próprios demônios. Bastava apenas um cintilar nos dedos e todo o restante fazia sentido. Sobre o documentário What Happened, Miss Simone?


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Eunice Waymon começou a tocar piano com quatro anos de idade e nunca mais o deixou de lado. Até nos seus pensamentos o instrumento era o ritmo pelo qual sua vida era movida. Uma sinestesia inexplicável, mas profunda, legítima. O mundo conheceu Nina Simone durante décadas. Agora, o mundo pode reconhecer Nina no documentário dirigido por Liz Garbus What Happened, Miss Simone? , lançado em parceria com a Netflix.

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O documentário jorra emoção já nos seus primeiros minutos e, durante os 101 minutos decorrentes, a possibilidade de identificar-se e comover-se com a história de uma das artistas mais influenciáveis e importantes para o legado da música mundial é grande, quase que irrecusável.

Tocando na realidade de outrora, conduzidos por depoimentos da própria Nina, conhecemos um pouco mais da história, da vida sofrida, dos abusos, da violência, da segregação e tantos outros problemas reais e identificáveis até hoje, mas que naquela época tiveram proporções desesperadoras, trazendo consequências para a vida pessoal e para a carreira de uma mulher que queria ser uma musicista clássica. No conforto das notas do piano, Nina ganhou sobrevida, tristeza, felicidade, liberdade e prisão. Inúmeros sentimentos amplificados em tom maior e controlados somente nos últimos anos de sua vida.

Nina Simone Kelly, filha de Nina, atuou como produtora executiva no longa e, agindo do bom senso, permitiu liberdade para Garbus conceder a produção de forma livre, revelando todos os lados do cometa musical chamado Nina Simone.

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No cinema, muitas vezes, a categoria de documentários torna-se difícil de ser digerida. Por fatores diversos, mas principalmente pela não linearidade, por existir urgências, diálogos e outros momentos nos quais nota-se a fluidez da narrativa conforme a execução de quem comanda. Neste ímpeto, Liz Garbus mostrou maturidade e sensibilidade suficiente para focar na trajetória da cantora e compositora da melhor forma possível.

Defensora dos direitos civis durantes muitos anos, a vida de Nina foi traçada por muita luta, sacrifícios e dores das quais o ser humano, independente da sua classificação abordada por um manual social, de forma alguma, merece absorver. Mas ela teve a sua cota e sobreviveu. Encantou almas com música, melodia e voz.

Referência musical resultante da fórmula ímpar para preencher o espaço através de notas tangíveis e habilidades fora do comum. Desafiante das certezas, embriagada pelas dúvidas, sonhadora do silêncio, odiosa dos gritos. Senhoras e senhores, é com muita honra e hiperbólico prazer, Nina Simone!


Guilherme Moreira Jr.

Um inquieto sobre o viver e o estar. No cinema, na música ou em qualquer outra janela. Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro..
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