horizonte distante

cinema, música e tudo aquilo que se pode avistar

Guilherme Moreira Jr.

Um inquieto sobre o viver e o estar. No cinema, na música ou em qualquer outra janela. Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro.

O detox para o amor

O amor não é fácil. Não é como abrir uma gaveta e trajar o romantismo mais bem vistoso para sair às ruas cantarolando “Exagerado”. Algumas vezes, a dor é opcional. Detox para o amor, eu recomendo.


movie-review-photo-_-the-break-up-screen-savor.jpgThe Break-Up (2006) - Dir. Peyton Reed

Antes de mais nada, o discurso abaixo não é fruto de ódio, síndrome do mal-amado ou de resquícios do toco sofrido recentemente - bem, talvez, quem sabe...O importante é atentar que as palavras a seguir não provém de nenhuma sandice. Amar também dói, e quando se é uma pessoa romântica, a cara de mocinho (a) no melhor estilo “maiores romances de todos os tempos”, a coisa fica feia! Porque convenhamos, um término ali e outro acolá, faz parte. É complicado perpetuar o foco numa leitura diante de um trânsito caótico, imagine, manter o carinho incondicional frente à tantas belezas digitais e sorrisos diversos nos corredores diários e, quando digo isto, não quero dizer a respeito da fidelidade dos casais, mas cá pra nós, existe algo dentro do ser humano que solta uns fogos quando você bate o olho em algo bonito. É natural. Admiração tola, mas não deixa de ser legítima.

Um dia desses, você conhece alguém. Vocês ficam juntos. É tudo lindo. Você fica inspirado, faz marcações no Facebook, discursos épicos, dá presentes, dedica canções e segue todo o roteiro de praxe que consta no manual dos românticos. Daí algo acaba dando errado. A troca de culpas é constante. Cada um segue o seu caminho, mas a dor fica ali, estacionada no seus pensamentos, sim, nos pensamentos. Porque neste estágio, o coração depois da primeira batida entra em modo automático, mas os pensamentos, cruéis e repleto de nóias, transformam o “acontece” no “maldito(a) seja” ou dilacerou o meu pobre e romântico coração. Indo mais além, você indaga, por que ser romântico me faz sofrer? Amar desmedidamente é o caminho?

Já obtive inúmeras provas das quais as respostas para estas perguntas são os piores medidores possíveis. Que não vale a pena, que o problema está em ser inocente demais, fantasioso demais. Talvez, quem concorde com essas teorias realmente esteja certo, afinal, muitos filósofos e psicanalistas desvendaram em pormenores, que amar é uma condição, e não uma imposição. Mas nos colocamos na situação pedinte de mais amores, mais romantismos. Não da parte clichê – alguns gostam, do querer estar com alguém, dos corpos suados entre lençóis, das mãos dadas naquele passeio de domingo, dos planos, encantos e conquistas propiciadas pela vida de dois seres independentes, mas dependentes por escolha, a concretização de um pacto honesto para seguir viagem, juntos.

Então vamos chegando no final do texto e, de repente, melhor, certamente você estará se perguntando onde o diabos do detox do amor entra nisso tudo? ... Pois bem, o detox é aceitar falar sobre. Discursar consigo, refletir sobre o injusto e muitas vezes, perecível amor. Porque ainda que eu sofra diversos acidentes emocionais pelo caminho, o chassi romântico segue acreditando que o melhor caminho seja não saber da existência do melhor caminho, sorrindo diante do improvável e feliz por reconhecer que para desintoxicar-se do amor passado, você pode abrir a gaveta e trajar o romantismo clássico, daqueles que você só encontra em edições limitadas, mas ainda em boas condições.


Guilherme Moreira Jr.

Um inquieto sobre o viver e o estar. No cinema, na música ou em qualquer outra janela. Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro..
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