horizonte distante

cinema, música e tudo aquilo que se pode avistar

Guilherme Moreira Jr.

Um inquieto sobre o viver e o estar. No cinema, na música ou em qualquer outra janela. Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro.

Cegos, surdos e loucos

"Vamos celebrar a estupidez humana, a estupidez de todas as nações" (Dado Villa-Lobos / Renato Russo)


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A ignorância é uma doença que, dia após dia, parece não ter cura. Você, obrigatoriamente não pode sentir muito em relação a nenhum assunto que choque um grupo de pessoas. Até mesmo na dor, o ser humano é manipulado por um senso de união exclusivo entre os seus, incluindo o núcleo familiar e transcorrendo até uma placa de boas vindas sobre um novo espaço territorial que conhecemos como cidades, estados e países. Queremos dar nomenclatura e mensurar a dor dos outros impondo o nosso próprio senso de justiça e perda. Não poderíamos estar mais cegos e doentes de tamanha ignorância.

Somos hipócritas? Hipocrisia é algo que atinge todos em níveis diferentes, mas hipocrisia maior é negar a existência da hipocrisia humana de; quero o bem de todos, mas somente se o mesmo bem significar aquilo que acho ser certo primeiro. É uma ignorância enrustida que nenhuma educação no mundo pode dar jeito. Porque se trata de uma escolha diária ir contra todos pelo simples fato da benevolência. Tanto faz se você trocou ou não a sua foto por Paris, pela homofobia, pelo primeiro assédio, por Mariana, pela corrupção neste país e qualquer outra chaga triste e cansativa que presencia diariamente junto da ausência do respeito para com o significado de ser humano.

Perdemos incontáveis horas e vocabulários para desmascarar a mentira do outro, o passo errado que lhe fora atribuído e a nossa insatisfação com, mas quando podemos ajudar, queremos que seja do jeito e no tempo que desejamos. Ignorantes ou hipócritas? Talvez um pouco dos dois, mas você não é ruim por isso. O assustador é imaginar a energia quase que incansável de uns em criticar e apontar o caminho certo para o mundo melhor, sem se importar em passar por cima do bom senso e do espírito coletivo alheio.

Palavras possuem propósitos bem claros; elas nos permitem uma comunicação, uma forma de linguagem a ser usada para fins saudáveis, evolutivos. Ao invés disso, fazemos uso delas para fomentar a desunião, a intolerância religiosa, o preconceito e manipulação desenfreada dos sentimentos de alguém. E pensar que, para escrever, o ser humano necessita refletir. Hoje, o que se vê, está longe disso. Essa sim é a ignorância sem cura e a hipocrisia mais corrosiva dentre todas as existentes.


Guilherme Moreira Jr.

Um inquieto sobre o viver e o estar. No cinema, na música ou em qualquer outra janela. Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro..
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