horizonte distante

cinema, música e tudo aquilo que se pode avistar

Guilherme Moreira Jr.

Um inquieto sobre o viver e o estar. No cinema, na música ou em qualquer outra janela. Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro.

Somos todos tolos no amor

“Um homem sensato pode apaixonar-se como um doido, mas não como um tolo” François La Rochefoucauld


gnq83qphbfogd5muq6mjadewvbxuyxf5vmycii0lzubdhzpihf2vascamkvvjnae.jpgPride & Prejudice (2005) - Dir. Joe Wright

Seríamos tolos por acreditarmos num sentimento ambíguo como o amor? Nem ao menos temos provas concretas das suas consequências. Vivemos a observar nada mais que evidências de sua existência. Mas reconhecemos a falta de fôlego, as mãos trêmulas e o pulsante desejo de estar com alguém. Desmentir isso é descaradamente ignorar a crença do coração tendo um papel além do de um órgão vital. Indo além, poderia até mesmo soar o mais profundo rechaçar da alma.

Impreciso e muitas vezes, inviável. Assim é o amor diário que insistentemente buscamos encontrar. Mal sabemos que é ele que nos encontra. E o seu doce acolhimento não pode ser ensinado, ou, moldado por regras estabelecidas de uma sociedade que sequer consegue compreender a vastidão desse sentimento. Pelo contrário, ao amor a tolice sorri. Porque enquanto uns concentram-se nos melindres a fim de satisfazerem egos, outros não, estes, caminham na contracorrente e aceitam as suas respectivas tolices. São nelas que residem quaisquer que sejam os aspectos legítimos do mais amor.

Para ser tolo é preciso ser sincero e, infelizmente, o acalanto preferível dos amantes nos tempos atuais é de conduzir a sua própria sinfonia amorosa, regada de segredos, jogos e maniqueísmos pobres sobre como é estar certo e errado diante de quem se ama. Acredito que, estes sim devam ser nomeados de tolos.

Talvez se colocássemos mais no nosso cotidiano o sentido dos grandes poetas e das grandes obras, fosse uma resposta completamente normal e sadia ser tolo de amor, e não o inverso. Mas o tempo dita o seu próprio ritmo e encarna nos corações petrificados todo o seu poderio, tornando-se a desculpa perfeita para um único ser abdicar-se do seu direito de amar e ser amado.

Diante do improvável, palavras. Invade e contagia. Sem lugar, apenas reside. Um tipo de métrica. Um tipo de informalidade do coração, onde a única regra é explorar o existente entre nós. Somos todos tolos no amor?


Guilherme Moreira Jr.

Um inquieto sobre o viver e o estar. No cinema, na música ou em qualquer outra janela. Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro..
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