horizonte distante

cinema, música e tudo aquilo que se pode avistar

Guilherme Moreira Jr.

Um inquieto sobre o viver e o estar. No cinema, na música ou em qualquer outra janela. Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro.

Marlon Brando: o extraordinário

“O amor é um direito concedido”, disse a voz atemporal em Listen to Me Marlon, de 2015.


Marlon-for-website-resized-flipped-copy.jpgListen to Me Marlon (2015) - Dir. Stevan Riley

Marlon Brando Junior, mais conhecido apenas como Marlon Brando. Considerado por muitos críticos e listas especializadas como sendo o maior ator de todos os tempos do cinema. Mas Marlon nunca se importou com isso. Na verdade, a sua maior preocupação era a vida. Em como vivê-la e entendê-la, sabendo reconhecer erros, desafios e momentos de paz.

"Mentir para viver, atuação é isso. Tudo o que fiz foi aprender a estar consciente sobre o processo. Todos vocês são atores. E bons atores, porque todos são mentirosos. Quando você diz algo que não quer dizer ou não diz algo que quer dizer. Isso é atuar”. (Marlon Brando)

marlon-brando.jpgMarlon: extraordinário ou ordinário?

Dirigido, roteirizado e editado por Stevan Riley, Listen to Me Marlon (A Verdade sobre Marlon Brando) foi realizado a partir de mais de 200 horas de gravação do próprio Brando, falecido em 2004, aos 80 anos. Já era de interesse do próprio também, compilar e realizar um filme autobiográfico, mas o tempo não concedeu esse privilégio. Felizmente, Riley o fez. E que bom que o fez. Um material a ser contemplado por cinéfilos ou meros apreciadores da vida humana. Dissertando sobre pensamentos desde a sua infância – já que Marlon era adepto da auto-hiponese, o documentário percorre magistralmente segredos dos bastidores de grandes obras protagonizadas pelo ator, incluindo Sindicato dos Ladrões (1954), O Poderoso Chefão (1972), Apocalipse Now (1979) e O Último Tango em Paris (1972). É revelado também o seu conflito com o diretor Francis Ford Coppola; as tragédias que cercaram a sua família, incluindo o encarceramento do filho por assassinar o namorado da irmã que, algum tempo depois do evento traumático, cometeu suicídio.

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“Qual é a natureza da criminalidade? De onde ela vem? (...) Nós temos essa crença antiquada no mito do bem e do mal. Não acredito em nenhum dos dois”. (Marlon Brando)

A vida e a obra de Marlon Brando foram marcadas por histórias além de simples julgamentos ordinários, mas através de reflexões e sentimentos extraordinários que, em algum ponto, resultaram num denominador emblemático sagrando o ator uma voz contra o injusto e o desigual.

Demolidor de paradigmas, admirador do distinto, amante incondicional daquilo que não pode ser comprado, mensurado e controlado: a felicidade. Listen To Me Marlon é um daqueles que filmes que você adentra, enfeitiçado, sedento e inquieto por respostas, mas acaba encontrando mais perguntas. Não há nada de ordinário nisso, muito pelo contrário, é extraordinário. Assim como Marlon Brando foi. Um homem que não era mito e este filme é a prova disso, por isso o valor inestimável do tempo em assisti-lo.

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“Adequa a ação à palavra e a palavra à ação. Segurar o espelho para a natureza, mostrar à virtude seu próprio aspecto, desdenhar sua própria imagem e mesmo à idade e ao corpo do tempo sua forma e impressão”. (William Shakespeare)


Guilherme Moreira Jr.

Um inquieto sobre o viver e o estar. No cinema, na música ou em qualquer outra janela. Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro..
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