horizonte distante

cinema, música e tudo aquilo que se pode avistar

Guilherme Moreira Jr.

Um inquieto sobre o viver e o estar. No cinema, na música ou em qualquer outra janela. Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro.

O Despertar de Star Wars

Considerações sobre o acontecimento do ano; “Just let it in”


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Mais do que um simples filme, é um chamado que não pode ser ignorado. Representante sacramentado da cultura pop do século XX, Star Wars talvez seja a única franquia que sempre teve potencial para ir além de uma mera trilogia. O universo possível criado por George Lucas ganhou ares tão inimagináveis que nem ele poderia sequer mensurar. Star Wars Episódio VII: O Despertar da Força deixa isso muito claro. Hoje, fica difícil participar de rodas de conversas sem nunca ter visto algo sobre os Jedi ou sobre A Força. Reconhecer o nome de Darth Vader não é bem lá o melhor e único argumento para fazer parte dessa legião de pessoas que se encontram, ano após ano, desde o final da década de 70, para celebrar, comentar e saudar tamanha franquia.

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Muito foi especulado se seria a melhor aposta quando Lucas vendeu a LucasFilm para a Disney. A desconfiança ainda mais crescente quando o nome de J.J. Abrams fora oficializado como diretor do novo longa da saga. Para muitos, Abrams é um recurso de um produto que muito fez sucesso e pouco disse (a série de TV Lost). Acontece que muitos estavam errados. O Despertar da Força começa 30 anos após os eventos ocorridos em O Retorno de Jedi, sexto episódio da franquia. Abrams tinha 11 anos quando o primeiro Star Wars aos cinemas. Mais à frente, você entenderá o motivo disso.

Voltando ao filme, novos e empolgantes personagens são apresentados: a catadora de lixo Rey, vivida por Daisy Riley e o ex-stormtrooper Finn, encarnado por John Boyega. Velhos e conhecidos rostos estão lá, RD-D2, C3PO, Chewbacca, Han Solo, Princesa Leia e mais. A conexão entre a antiga e a nova geração é um dos pontos mais fortes da produção, além das incríveis cenas rodadas em ambientes naturais. Pouquíssimas tomadas foram feitas em estúdio. Abrams fez questão de usar o máximo de efeitos práticos e de cenários reais, não apenas como dose de saudosismo a primeira trilogia, mas também como forma de aproximação do público com a história.

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Outro ponto positivo fora o uso de 3D. Cada vez mais utilizado nas grandes produções, o recurso de conversão – pois filmar em 3D é caríssimo, quase sempre toma conta dos grandes lançamentos na expectativa de abocanhar melhores bilheterias, mas no caso de Star Wars, a equipe responsável fez um trabalho excepcional na conversão. É um 3D quase que puro, não deixando ninguém desconfortável e causando uma grande imersão em certas cenas, como na inebriante apresentação da personagem de Riley no deserto de Jakku. É uma das cenas mais bonitas que o cinema já proporcionou.

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E o roteiro? O roteiro passou pelas mãos do próprio Abrams, como também de Lawrence Kasdan e do vencedor do Oscar por Toy Story 3, Michael Arndt. A narrativa de O Despertar da Força é empolgante, deixando inúmeros ganchos e questionamentos característicos para a construção de uma nova trilogia. Em alguns momentos do filme, alguns minutos e situações são usados por puro escapismo, mas nada que comprometa a jornada.

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Então Star Wars VII é o melhor de toda a franquia? É uma pergunta para ser respondida por cada um, mas é excitante só de imaginar respondê-la, pra começar. A verdade é que quando você olha para os lados e percebe a tamanha quantidade de pessoas espalhadas pelo planeta, trajadas como os personagens, e de todas as idades, você se dá conta que existe algo especial em Star Wars e que A Força é real. Ela sempre foi. Nunca se tratou de poderes para mover objetos e controlar mentes, mas de sentimentos únicos e tão propagadores que, de geração em geração, todos se unem, para voltar para casa. J.J. Abrams talvez fosse o menino vestido de padawan na fila do cinema comendo pipoca e você nem percebeu, por achar que ele não poderia compartilhar da mesma Força que você. É um despertar, apenas deixe entrar.

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Guilherme Moreira Jr.

Um inquieto sobre o viver e o estar. No cinema, na música ou em qualquer outra janela. Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro..
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