horizonte distante

cinema, música e tudo aquilo que se pode avistar

Guilherme Moreira Jr.

Um inquieto sobre o viver e o estar. No cinema, na música ou em qualquer outra janela. Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro.

Batman vs Superman: A Origem da Justiça

A Warner sangra mais uma vez.


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Desde que a Warner sentiu que precisava coexistir pela atenção dos fãs, também apreciadores da Marvel, o estúdio ainda parece desconhecer o equilíbrio entre qualidade e entretenimento. Após um “O Homem de Aço” desconcertante, mas honesto em muitos pontos, chega aos cinemas o tão esperado confronto entre Batman e Superman, dando início a estruturação de algo mais ambicioso; a Liga da Justiça. Mas, novamente, ao invés de ter a qualidade criativa como prioridade, o estúdio fez o caminho inverso, tentando praticar o maior número de “fan service” possível. É claro que, para os fãs, todo esse movimento torna-se legítimo e prazeroso de se assistir, mas a mão pesada e de excessos de Zack Snyder deixa a produção com uma cara “fácil demais”, pois tudo o que importava era anestesiar o público com referências e momentos épicos, antes apenas imaginados. O erro foi insistir nesses fatores como sendo suficientes para manter o interesse.

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Batman vs Superman não é sombrio ou sério. O filme é um vislumbre de intenções. David S. Goyer permanece sendo o ponto fraco dessa nova era do estúdio. Goyer não parece ter aprendido muito com Chris Nolan. Tampouco a revisão do script, feita pelo excelente Chris Terrio, que trouxe ao longa ótimos diálogos e climas mais reflexivos, manteve a qualidade coesa durante os 152 minutos. São diversos excessos entre as narrativas dos personagens. Em cenas isoladas, você vibra como criança, noutras, o sorriso fica amarelo diante das motivações constrangedoras e saídas fáceis demais para dois dos personagens mais icônicos do panteão da DC Comics. E nada disso foi culpa de Ben Affleck e Henry Cavill. Ambos estão particularmente entregues aos seus papéis, principalmente Affleck, para o qual muitos torceram o nariz por sua escalação. A Mulher-Maravilha de Gal Gadot impressiona, mas a participação da Amazona não passou de mais um chamariz para alavancar vendas e desviar a atenção do esqueleto frágil que era o roteiro.

Ainda assim, nem tudo está perdido no universo cinematográfico da rival da Casa das Ideias. O fôlego é promissor para os próximos projetos, mas para isso, cabe à Warner perceber que não precisa competir com outros, porque será uma eterna discussão sobre DC vs Marvel. Mas, assim como o título do filme, o embate mais apropriado acontece no próprio quintal; DC vs Warner: A Origem do bom senso.


Guilherme Moreira Jr.

Um inquieto sobre o viver e o estar. No cinema, na música ou em qualquer outra janela. Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro..
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