fabita

Jornalista, amante de literatura, cinema e filosofia

big mama thornton - leve coisa nenhuma

Big Mama foi um gigante vocal feminino, cravado de energia, que deixou a sua marca na história do blues


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É quase impossível descrever a energia daquela mulher gigante no palco. Big Mama Thornton tinha força, ginga, era despojada e contagiante. Em sua interpretação de “Hound Dog”, em 1965, mostra a que veio. Ela mexe e todo mundo segue o seu ritmo. A versão está há anos-luz daquela gravada por Elvis Presley, que apelou para a rapidez e perdeu o brilho.

Big Mama era uma cantora de peso, objetiva e subjetivamente. A negra, com a entortada clássica de boca, leva os receptivos ao delírio. Um enorme e sonoro tapa na cara nas cantoras de hoje, com pouco talento e muito encaixe no padrão.

Nascida Willie Mae Thornton, em 11 de dezembro de 1926, Big Mama é filha do Alabama. Uma lenda do blues que teve o seu início em uma Igreja Batista, como muitas outras lendas do estilo que ela escolheu (ou que escolheu Big Mama).

Ela era uma entre os seis filhos de um pastor e de uma cantora. Aos 14 anos, deu adeus ao Alabama após a morte da mãe. Em Houston, Texas, começou a carreira no ano de 1948. No início da década de 1960, foi embora para San Francisco, cidade em que cantou em clubes locais. Vítima de um ataque cardíaco, Big Mama deixou o mundo em 25 de julho de 1984.

Longe de ser leve, Big Mama era do tipo “leve coisa nenhuma”. Quem a conheceu, não esquece. Provocativa, a diva do blues não era também do tipo retraída. Quase 200 quilos de talento esmagador, quase 200 quilos de um delírio sonoro que deixou a sua marca na história do blues. Big Mama foi um estrondoso gigante vocal feminino, cravado de energia musical.

Big Mama Thornton - The Original Hound Dog (1990) f.jpg

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fabita

Jornalista, amante de literatura, cinema e filosofia.
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