fabita

Jornalista, amante de literatura, cinema e filosofia

Nick Drake e os dias de chuva

"Eu não sinto nenhuma emoção sobre nada. Eu não quero rir nem chorar. Estou dormente; morto por dentro." (Nick Drake)


Drake

Sempre que chove, é dia de Nick Drake. O som calmo do moço nascido em junho de 1948 é um daqueles bálsamos raros. Por vezes tristes, as músicas de Drake deixam aquele ar de dia bom. Cantor e compositor britânico, nascido na antiga Birmânia, morreu jovem, com apenas 26 anos, no ano de 1974.

A melancolia de Drake, estudante de Literatura, os temas outonais e o posicionamento virtuoso ao violão, fizeram com que ele fosse conhecido como um dos compositores mais influentes dos últimos 50 anos. Os seus discos, três oficiais, estão entre os melhores da história. O mais conhecido talvez seja Pink Moon, lançado em fevereiro de 1972.

Noturno e com histórico de depressão, Drake se apresentava de cabeça baixa, olhos fechados, sem contato com a plateia. Teve uma morte polêmica, causada por um provável suicídio, já que ingeriu uma grande dose de remédios.

O rapaz, de longas pernas e olhar introspectivo, era um músico dedicado, beirando a obsessão. Nas primeiras horas da manhã, surgiam as melodias mais bonitas e exóticas. Com elementos retirados da natureza, as músicas de Drake trazem as estações do ano com pinceladas de profundidade.

Os dias de chuva, o outono e a melancolia contagiosa fazem de Drake temido e adorado. É preciso ter preparo para encarar aqueles olhos: dois poços de desalento prestes a desandar em águas cadentes. Preparo que, só quem perdeu o medo da noite, pode encontrar.

Nick

Pink Moon


fabita

Jornalista, amante de literatura, cinema e filosofia.
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