fabita

Jornalista, amante de literatura, cinema e filosofia

Pra não dizer que não falei de Jim Morrison

“Estão todos aí? A cerimônia vai começar”. Lapsos de um apreço antigo, revivido com “When You're Strange: Um Filme Sobre The Doors”


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Foi 16 anos depois de ter ouvido aquela voz hipnótica pela primeira vez que vi “When You're Strange: Um Filme Sobre The Doors”. No filme, um Jim Morrison mais alcoólatra, mais frágil e mais distante do que aquele que eu pintava. A visão daqueles que conviviam com ele é diferente da visão que provavelmente ele tinha de si mesmo e muito diferente daquela que eu tinha dele. Achei que Jim havia morrido em mim aos 27. Me enganei.

Um Jim de fraquezas, embriagado pela fama e às vezes insuportável. O homem que percebeu o valor da distância. Sim, a distância cria os mitos, ele bem sabia. Hoje, escrevo sobre ele sem o véu do fanatismo, sem pensar que ele sou eu ou qualquer coisa que o valha. Escrevo com a caneta do esquecimento, sem os adjetivos bem elaborados, sem a paixão daqueles tempos.

Ele foi um homem que talvez pensasse que era eterno. Talvez, quem o amou também pensasse que ele era eterno. Como toda aquela energia e beleza poderiam se dissipar com os ventos de Paris? Pois os ventos de Paris calaram a voz que já não esbanjava o erotismo. Um daqueles ventos mortais, misturados aos antigos ventos etílicos, que datam de bem antes do ano de 1971.

Os ventos que mataram Jim Morrison foram os ventos de Los Angeles, de San Francisco, de Miami e de todas as cidades por onde ele passou, desde meados da década de 1960, até início dos anos de 1970. Foram ventos de uma revolução que apostava no excesso de tudo, quando o LSD transformou jovens universitários em monstros de energia, que pulsavam feito loucos, de carona em carona.

Jim Morrison foi mais um desses jovens, mas ele sabia dos segredos que levantavam as multidões. Raramente mostrava os olhos claros, escondidos pelo ácido da época. Matou os seus pais, matou o seu passado e encarnou um xamã incompreendido, com os elementos certos para vergar de histeria as moças e rapazes, outrora de família.

Beleza, mistério, inteligência, rebeldia e letras com duplo sentido. Uma combinação de ingredientes que fez da banda um tanto circense, um tanto carnavalesca chamada The Doors, se tornar apoteose, balançando as estruturas de meninas da década de 1990, como eu, ao som de doces sopros indianos misturados aos lendários acordes de uma força conhecida como Rock and Roll.

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fabita

Jornalista, amante de literatura, cinema e filosofia.
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