fabita

Jornalista, amante de literatura, cinema e filosofia

Os 2 Coelhos de Poyart

Longa impressiona pelas referências, pouco usadas no cinema tupiniquim


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Toda a magia chuvosa da cidade de São Paulo está neste filme intrigante. Até o último minuto, não se sabe o que vai acontecer. Com enredo inteligentíssimo e fotografia impecável, 2 Coelhos abusa da câmera lenta, do aspecto não linear e das artes gráficas, que quebram a mesmice das imagens reais.

Cheio de boas sacadas, o filme dirigido por Afonso Poyart que fez furor em 2011, aceita e nega o fato de que “não existe amor em SP”, como diria Criolo. No fim de tudo, é uma história de amor e de ação, com a magnífica atuação de Caco Ciocler no papel do misterioso Walter, um professor universitário, com uma longa barba e um plano na cabeça. Alessandra Negrini, a para sempre Engraçadinha, faz Julia e encanta mais uma vez com a sua sensualidade, com a sua beleza e com o seu jeito de menina eterna.

Uma hora e quarenta e oito minutos para repensar o cinema brasileiro, o projetando com criatividade no exterior. Perdas e ganhos, vida e morte e não somente antônimos, como vingança e dinheiro, dão os temperos exatos ao roteiro, que ganha um brilho a mais com as alucinações de Julia.

Mais uma vez, se torce para os vilões, os quais apresentam certa humanidade. O longa, embora apresente situações comuns em outros filmes nacionais como a corrupção, não cai no mais do mesmo, principalmente pelas referências – animação, videogames e filmes americanos – pouco exploradas no cinema tupiniquim. Tudo isto resulta em um efeito precioso: 2 olhos adesivados na tela, do começo ao fim.

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fabita

Jornalista, amante de literatura, cinema e filosofia.
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